terça-feira, 4 de março de 2008

NIETZSCHE, UM SONHO HUMANO...




O homem além do homem é a visão de Friedrich Wilhelm Nietzsche de um ideal de ser humano livre de todas as amarras da moral cristã, do sentimento nacionalista que invadia a Europa naquela época, de uma sociedade voltada para o capital e a opulência... Um homem que não temesse a vida e a sua humanidade, que não se escondesse de seu prazer. Um ser virtuoso e profano, muito além do simples conceito de bem e mal. Um homem sem necessidade de crenças morais, de princípios moralizadores... Nietzsche tentou criar um ser que fosse ao mesmo tempo deus e homem, que pudesse ir além da simples vida vazia que lhe impunha a sociedade e as convenções religiosas e morais! Ir além do homem, para Nietzsche, é ir além de Cristo! Ser um homem sem pecado original, sem necessidade de perdão... Um homem que acorda todo dia de sua morte anterior, renovado e feliz, sempre se construindo e se destruindo! Um eterno retorno a si mesmo... É a sua vontade como potência e não como ato inútil e desnecessário.

Nietzsche desejou o homem que ele não podia ser, e creio ninguém nunca chegará a ser... Porém a sua obra e seu pensamento serão sempre um ponto de referencia para todo ser que um dia ousar ser feliz... É na sua filosofia descaradamente humana que se principia a vontade de ser feliz, pois é do seu vomito indignado sobre a moral e a farsa do cristianismo e esse cristo de contos de fada, que vislumbramos a luz de um ser humano pleno de sua capacidade de viver e fazer-se ser, existir em si mesmo...

Nietzsche, é a lamina da humanidade que se ergue contra a hipocrisia de filósofos e intelectuais, que se escondem sob a luz de uma crença mal produzida e imposta sobre duras penas a esta humanidade. É a justa revolta do homem ao seu deus farsante e improdutivo, moralista e vingativo, injusto e justiceiro de si mesmo... É a filosofia do homem e para o homem, sem intermediários, sem interpretes e sem seguidores. Nietzsche não produz teorias, ele descreve a vida, mostra a ferida da sociedade e, essa sociedade que se considerava sã, se encolhe sob o nojo dessa chaga. Dessa exposição surge o medo, e com ele o desejo de se esconder, pois a sociedade não suporta esta ferida supurando aos seus olhos! A visão desta pútrida chaga é vergonhosa e humilhante, é preciso, como no passado, esconder essa chaga, mas já não se pode usar a força bruta. É preciso usar a sutileza do descrédito, da desmoralização... Ridicularizar o homem, para que sua obra seja desacreditada! Então surge o desprezo, a marginalização de sua filosofia!

Há, na obra de Nietzsche, toda a beleza e valor do ser humano quando levado a sua máxima potência como tal, isto é, sem a moldagem da moral ou da religião. O homem puro dos vícios religiosos e morais é como a natureza em seu movimento contínuo, bela e poderosa, impossível de ser barrada, cercada ou cerceada de seus desejos e intentos... Assim é o homem que “nitchi” nos aponta. Um ser em movimento que renasce a cada manhã, capaz de construir sua felicidade, buscar seu lugar, sem medo e sem remorsos tolos... Vejo, e ouço, e leio que a obra de Nietzsche, é atéia, é racista, é poética, é religiosa, é nacionalista, nazista e tudo mais... Realmente é tudo isto, a obra dele, pois é ele o ser humano em sua mais fiel tradução, com seus defeitos e suas qualidades! Toda sua obra é um tratado de humanidade, uma descrição do homem e um desejo de libertação dos mitos e das ideologias. Ele busca no passado o futuro do homem, pois é na sua origem que reside a pureza de sua superioridade, o homem só será seu deus, quando retorna as suas origens e, esse retorno não é um retorno a natureza as práticas primitivas, aos instintos primeiros é, muito pelo contrário, um retorno a evolução barrada pela religiosidade e a crença ideológica... Ele vai aos gregos para compreender a sua alegria, o prazer pela vida e pelo conhecimento do homem, encontra na filosofia grega os contornos do homem potencial, nos deuses pagãos ele descobre o prazer da vida terrena, a alegria pura de viver sem medos e sem moralismos hipócritas. Nos cultos dionisíacos ele encontra o significado de viver plenamente a carnalidade humana. Na arte, na musica ele encontra a verdadeira moral que move o homem, a única ética que vale a pena, a beleza, o belo, o “bom” do ser humano pleno e superior.

Poderia passar horas e horas a escrever sobre a obra de “Nitchi”, o alcance de sua perspicácia, sua visão abrangente e realista de um momento, sua loucura, seus medos , seus traumas, suas decepções, suas influências e seus influenciados, as conseqüências de interpretações errôneas ou propositadamente desvirtuadas e modificadas ao interesse de seu interprete...mas seria inútil, pois seria apenas um a mais nesse universo de admiradores e desafetos que tentam descrever seu pensar e seu viver, seu agir...Vou dizer apenas mais uma coisa,Foi “Nitchi”, apenas um homem que apesar de todas as vendas e amarras, conseguiu enxergar um pouco da verdade, chegou perto do conhecimento verdadeiro de si mesmo!!!Foi ele, talvez, o mais próximo de seu desejo, o que poderia se chamar de "além do homem"...

2 comentários:

Anônimo disse...

Também entendo Nietzsche como um grande humanista, que acreditou no real potencial do ser humano....
Estou adorando vir aqui....te desejo muito sucesso e ótimas idéias...Um beijo.

Yedra

Edineia disse...

Meus parabéns pelo texto. Também concordo que Nit foi tudo isso!
Admiro sua perspicácia!

Abraços