quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

LÚCIDA EMBRIAGUEZ






Sento-me na varanda
Abro uma garrafa de vinho
E bebo, saboreio cada gota.
Embriago-me de consciência...

Por mais que meu desejo
Se lance em busca do sonho
E minha boca mergulhe
No carmim desse bálsamo,
Minha mente permanece intacta,
Imune ao álcool e ao desejo.

Meu corpo cambaleia,
Já não sabe aonde vai
Nem obedece a minha vontade
Mas, minha mente tranquila,
Avalia, mede cada tropeço,
Cada descompasso,
Calcula a distância e,
Guia-me no amargo caminho,
Dessa agonia racional!


Manoel Nogueira
Fortaleza, 2010.

8 comentários:

Eclipse Mental disse...

Como expandir a consciência bebendo vinho?

Manoel disse...

Não expande-se...Expande-se a imaginação!!

Eclipse Mental disse...

Não há melhor túmulo para dor do que uma taça

cheia de vinho ou uns olhos negros cheios de lânguidez."



Álvares de Azevedo

Cerberus disse...

Ou os dois...rsrs!!!

hugo perpétuo disse...

Tomei emprestado um poema seu e postei no meu Blog. Tudo bem?

abraços

Eclipse Mental disse...

"Ah, encha a Taça: - de que vale repetir
Que o Tempo passa rápido sob nossos Pés:
Não nascido no amanhã, e falecido Ontem,
Por que angustiar-se frente a eles se o Hoje pode ser doce?"


Omar Khayyam

Cerberus disse...

Sem problemas, Hugo...Eu fico feliz que minhas palavras tenham encontrado eco..Abraços!!

yedra disse...

... queria o mundo transformado... achava até que a

perturbação podia ser sanidade. E nada era mais

sensato que a loucura, nem mais louco do que a

modeviça sensatez. E optava pelo visionário, que

era conseguir estar desperto, quando todos já

dormiram. Com o lúcido cuidado na escolha dos

próprios sonhos. E quantas vezes são eles

que nos escolhem....


(Carlos Nejar)