sábado, 7 de maio de 2011

PERCEPÇÃO EM HEGEL




A certeza sensível é superada e a consciência alcança a percepção quando na  sua experiência os objetos são  apreendidos como verdade na condição de “a coisa de muitas propriedades”. Hegel define esse processo como suprassumir, e ele assim define tal processo:
“O suprassumir apresenta essa dupla significação verdadeira que vimos no negativo: é ao mesmo tempo um negar e um conservar. O nada, como nada disto, conserva a imediatez e é, ele próprio, sensível; porém é uma imediatez universal” (FE, p. 84, §113).

Assim a percepção se dispõe a refletir o ser apreendido imediatamente pelos sentidos. No entanto, já é consciente a certeza de que para que não se desfaça no desvanecer das particularidades, precisa apreendê-lo em sua universalidade. Compreende que ao dizer cadeira está tomando como ser o que permanece de todas as cadeiras particulares, ou seja, a cadeira formal, universal.
Porém nesse novo momento, ainda se revela a imediatez da apreensão desse ser. A essencialidade do universal é somente em relação ao que permanece frente      permanece mediante o que desaparece dos entes singulares. Dessa forma estão colocados indiferentes para a universalidade, ou seja, frente à equivalência enquanto ser. O que há de ser se conserva no universal. Entretanto, é necessário que se estabeleçam diferenças essenciais entre eles, pois se assim não ocorresse, não haveria desvanecimento dos singulares.
Quer dizer, é necessário que no universal sejam guardados tanto a indiferença, que s emantem quando do processo de desvanecimento dos singulares, quanto a diferença  efetiva entre os seres e pela qual inicia o processo contraditório  anterior, onde a certeza sensível não dava conta d as diferenças entre os seres, pois o alcance do seu saber era a imediatez da existência.
Neste momento, se revela outro aspecto já ai presumido, ou seja, a apreensão imediata revela não somente o ser enquanto permanência, mas também a sua diferença, aquilo que lhe distingue de todo o resto. Necessariamente o ser precisa reter em si essa duplicidade, mas, essa relação contraditória ainda é dada imediatamente.  O universal é ao mesmo tempo o permanente e o impermanente. Dessa forma ambas encontram nele sua identidade e simultaneamente se excluem.

Mas, nesse processo contraditório, a consciência se dá conta de um que de inverdade. A consciência  tem ciência  da ilusão, dessa forma, nos diz Hegel, seu critério de verdade é a igualdade-consigo-mesmo, e seu procedimento é apreender o que é igual a si mesmo. Como ao mesmo tempo o diverso é para ela, a consciência é um correlacionar dos diversos momentos de seu apreender. Mas se nesse confronto surge uma desigualdade, não é assim uma inverdade do objeto “pois ele é igual a si mesmo, mas [inverdade] do perceber” (FE, p.86, §116).
Após esse processo a percepção se torna dona de um saber condizente com essa nova conceituação de objeto. O desenvolvimento  de sua experiência se fundará na sua tentativa de manter o objeto idêntico a si mesmo, mediante um artifício qualquer para subtrair deste o elemento que lhe faculta essa oposição interior.

Manoel N Silva


Bibliografia

G.W.F. HEGELFENOMENOLOGIA DO ESPÍRITO, Tradução Paulo Meneses com a colaboração de José Nogueira Machado, 2ª edição, Ed. Vozes,  Petrópolis-RJ - 1992

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