segunda-feira, 4 de novembro de 2013

QUE OPOSIÇÃO?


Uma frase que reflete bem o "pensamento" fisiologista da suposta oposição brasileira é esta que li em num post desses tantos que aparecem por aqui: "NÓS da oposição, que QUEREMOS o PT fora...”.
É fácil identificar ai que essa "oposição" não pensa em termos de Brasil e sim de partido, de pessoas e de grupos. É por essas e outras que a grande maioria da população prefere os desmandos do PT ao fisiologismo e corporativismo da "oposição". Pelo menos, nos desmandos do PT, o verbo é conjugado na terceira pessoa do singular, e o sujeito da frase é o povo e não o PT.
Evidentemente que me oponho à estrutura de governo existente. Estrutura essa que possibilita ações desastrosas e corporativistas. Também me oponho aos meios usados pelo Governo em questão. Porém, não há no horizonte político brasileiro, qualquer alternativa melhor que a que aí está. E, se não houver reformas políticas, que mudem as estruturas eleitorais e fortaleçam o desenvolvimento de partidos políticos fortes e ideologicamente definidos, capazes de construírem propostas consistentes e claramente definidas, o povo brasileiro vai preferir o "menos ruim" e o mais popular.
O comportamento desta "oposição" revela claramente a visão parcial, o desespero da incompetência política. O que ressalta a falta de objetividade e propostas consistentes capazes de enfrentar a consistência, embora muito aquém do possível e mais longe ainda do desejado, dos discursos, ações e propostas desse governo que aí está. No dia que a oposição tiver a consciência de que seu único adversário é ela mesma e o seu corporativismo e fisiologismo, poderá talvez, se em seus quadros ainda sobrarem políticos decentes e competentes, forjar um discurso capaz de convencer o povo brasileiro. Por enquanto, esse discurso é mero foguetório, infelizmente!
Talvez todos os partidos sejam fisiologistas e corporativistas. Mas, no momento em que isso é devidamente incorporado ao discurso, fica difícil qualquer promessa ou esperança de mudança. Política é 90% discurso e 10% ação. É preciso que se articule um discurso capaz de convencer o povo de que esses 10% podem e devem efetivamente ser de interesse dele e não simplesmente do partido.
O grande problema da oposição é que ela não tem um discurso capaz de criar no povo a devida confiança em suas ações. Certamente que no Brasil é pleonasmo. Mas, a política, pensada e exercida conforme seus fins teóricos, não é fisiológica.
Certamente que a política atende a fins particulares e nem poderia ser diferente, porém a totalidade de suas ações deve ser sempre em direção ao todo de uma sociedade, só assim esses fins particulares podem ser alcançados sem prejuízos dos fins coletivos.
O que chamo de fisiologismo e corporativismo não é a busca e a satisfação desses fins pessoais e corporativos e, sim o sacrifício dos fins coletivos em favor desses individuais.
O mecanismo de sedução da oposição é totalmente deficiente. Mas não é só isso, ela não tem uma proposta coletiva, não apresenta solução para o todo da sociedade, seu discurso, embora voltado para isso, revela apenas a prática corporativa. Não é que os Partidos devam enganar com seus discursos, muito pelo contrário, é que eles precisam espelhar a seriedade de seus fins.
E, nesse caso, a oposição não espelha, porque não os tem e ainda por cima revela flagrantemente a sua postura fisiologista. Em contra partida, o Governo, além de ter um discurso coletivo, que convence, as suas ações, embora precárias, reforçam esse discurso e mantém a confiança do povo. Com isso, o povo, embora lendo nas entrelinhas das ações os fins fisiologistas e corporativistas, prefere o que está colocado, diante do discurso vazio e desprovido de ações e confiança da oposição.


Manoel N Silva.

2 comentários:

Belle Biajoni disse...

Sou aluna de filosofia nos EUA e estou apaixonada pelo seu blog, feliz que tenha voltado a postar!

Manoel Silva disse...

Obrigado. Sinto-me imensamente feliz em saber que você me honra com sua leitura desses meus parcos escritos!