sexta-feira, 7 de março de 2008

A REALIDADE É O MUNDO EM QUE VIVEMOS...


O que é a realidade? O que é o real? Seria o mundo? As pessoas, os animais, as plantas e tudo mais que a nossa percepção alcança? Ou isto é apenas uma ilusão criada por nossa mente, uma sombra do mundo real, ao qual nos incita Platão, a conhecer? Que mundo real seria esse e, o que nos prende a essa caverna escura? Apenas o desconhecer, o não saber da existência desse mundo real? Haveria verdade nestas teorias de que somos e vivemos numa ilusão? Não posso encontrar fatos ou provas concretas que me apontem, nem mesmo indícios, por mais frágeis, que me levem a admitir tal possibilidade. Não compreendo o que leva pensadores, dos mais sábios e respeitados, a subestimarem a existência do homem e seu habitat, o planeta terra e toda estrutura física do universo. Em que se baseia a afirmação que a realidade não existe? Na limitação de nossa percepção física, na incapacidade natural que nos limita de “ver” ou “sentir” essa realidade? Não... Não pode ser apenas isso... Poderia ser a descrença desses homens no ser humano, que embasados em suas mentes brilhantes, tentam fazer sentido a contradição no ser humano... Ou talvez a incompreensão de sua própria natureza humana, a incapacidade de admitir que sejam portadores de sentimentos falhos e maus.
Essas mentes brilhantes e criativas, decepcionadas com sua própria condição, procuram forjar uma realidade inexistente e perfeita, onde caibam seus desejos e sonhos de um ser humano perfeito... Não, não posso negar a realidade e minha condição de Ser humano. com meus defeitos e imperfeições, desejos egoístas e individuais, não posso, em nome de uma idealização de ser humano, desprezar meu mundo, minha realidade e minha humanidade, por isso me recuso a “enxergar” além do que existe, pois isso seria apenas fugir do espelho, esconder-se debaixo da cama, pura covardia, preciso e encaro o monstro que posso ser, o ser humano. Afirmo, mesmo contra a fé e a filosofia de alguns, a realidade existe e esse é o mundo real, o único que temos e teremos, nessa breve existência que temos.
Como supor uma realidade além desse mundo a que sentimos e percebemos? Tosas as descobertas e tudo o que a filosofia e todas as ciências fazem se baseiam e, é fruto desta realidade, sem esta nada seria possível, nem mesmo as utópicas e absurdas teorias de multirealidades, a fértil imaginação da ficção e as loucuras da fé... Tudo se enraíza nesta suposta ilusão de realidade, todos os conceitos e todas as teses, sínteses, antíteses, se percebem apenas nesta realidade. Não há como ser, seja do ponto de vista do existencialismo, seja do ponto de vista do determinismo, realismo, ou qualquer outro ismo, que não aqui, nesta realidade parca e imunda, mas real e humana.
Não busco uma confirmação desta certeza, que construí forjado no sentir e ser do Ser humano, em suas mais diversas manifestações, o medo, a fé, o amor, a solidão, o desejo, etc., O que busco é a compreensão da aceitação de tantos nestas divagações... Pergunto-me aonde quer chegar o ser humano que acredita que existe uma realidade diferente desta, outro mundo... Qual a sua alegria e prazer de viver, se acredita que não existe? Que é apenas uma ilusão ou um espírito controlado por um ser supremo que lhe guarda um paraíso, onde terá uma realidade plena? Que vida pode ter um ser humano que acredita fazer parte de um “todo”, que faz parte de uma consciência coletiva que comanda sua existência... O que pode haver de humano, de vida em seres assim?
Entendo que a limitação de nossa percepção nos deixa entrever apenas a ponta do iceberg do que existe, em sua totalidade, sons, luzes, dimensões, estão fora do alcance desta percepção, mas não são ilusões o que vivenciamos no dia-a-dia, toda ciência e tecnologia que criamos, nossa história, civilizações, impérios...tudo é, e foi real. O homem é o senhor de seu mundo, o construtor de sua realidade. O homem diante de sua limitação sensorial, constrói seus olhos e seus ouvidos, para poder perceber sua realidade de forma mais abrangente, se hoje a realidade nos parece pequena, delimitada pelas fronteiras naturais, amanhã, se abandonarmos essa procura por outras realidades e nos concentrarmos em resolver os problemas dessa, que é a única que podemos ter, abriremos essas fronteiras ultrapassaremos esses limites, iremos além da superfície e descobriremos essa montanha, colocaremos toda ela ao alcance de nossa percepção.
O que é o “ser em si mesmo”? a “essência”? a “existência”? “ a vontade de verdade”? a “alma”?, o “eu”? o “ego”? Senão o ser humano, a sua realidade a sua vontade potencial criativa e criadora, o seu poder individual e coletivo de interferência real, consistente, capaz de destruir e construir, não existe poder controlado e controlável maior que o poder do ser humano. A natureza tem poderes, me diriam os místicos, sim a natureza tem poderes, mas não os controla, não pensa e dirige esses poderes... o homem, ao contrário tem a força suprema da inteligência, altera a natureza e direciona seu poder para seu beneficio...esse sim é o verdadeiro e real poder, o poder da humanidade, a força suprema que governa o mundo e a natureza deste. Se mal conduzimos e usamos esse poder, isso sim deve ser pensado, discutido... Não podemos mais ficar divagando sobre ser ou não ser, existir ou não existir, a existência se revela por si própria, se manifesta a cada dia e a cada hora, em cada criança que chora de fome, em cada rio que morre na violência urbana que explode em nossa cara, na grade que nos separa da vida...
Não há o que se perguntar da realidade... Ela estampa-se vermelha e cinza nos nossos olhos.
Porque criar paradoxos, encruzilhadas e barreiras, se o pensamento pode ser utilizado, para construir caminhos, dispersar a escuridão? Talvez, entre todos os filósofos e pensadores que a humanidade produziu apenas dois, possam ser considerados homens, representantes dignos de sua existência e natureza. Marx, por que baseia toda a sua teoria no homem, na capacidade produtiva deste, no seu potencial social e humano e Nietzsche, por sua antagônica visão do homem, sua descrença nesta capacidade, a certeza de seu poder de destruição e maldade. Mas ambos, embora conflitantes em suas avaliações e errôneos em suas esperanças, não discutiam a existência ou não da humanidade, eles sabiam de sua realidade, do real de sua existência. Procuram direcionar o pensamento para a solução dos conflitos humanos e superação de suas próprias barreiras e não imaginar mundos fantásticos e situações poéticas e fictícias para justificar nossos erros e defeitos. Enquanto um se esforçava para pensar e construir uma sociedade que fosse a mais justa para a humanidade, o outro buscava a destruição dessa sociedade existente para um renascimento mais puro do ser humano... Podemos contestar suas teorias, mas jamais poderemos contestar as suas naturezas humanas e centradas na realidade, no mundo real do ser humano.
Sei que estou indo de encontro com a esperança e a crença de uma leva da humanidade que se apóia na mágica da ilusão, para justificar o fracasso pessoal e coletivo do ser humano. Estou ferindo a bondade, a virtude e o amor... Sentimentos humanos que nos afundam cada vez mais no egoísmo e futilidade existencial. Para ser bom é preciso abobalhar-se? Reduzir-se a farrapos humanos? choramingar nossos defeitos e pedir que uma força além da existência e realidade, nos ampare? Não, não precisamos dessas muletas, desses guias e cabrestos, o homem é a força que precisa para conduzir seu destino e construir seu futuro... Ele precisa apenas decidir se quer ou não um futuro, pois é em sua força e capacidade, no seu poder ilimitado que reside a solução da humanidade.
Não é desprezando a ciência(realidade) ou a filosofia(interpretação), mas sim construindo a ponte de ligação entre as duas...é esse o objetivo maior...isso é o que devemos buscar...não precisamos do ceticismo radical ou da crença cega, a realidade precisa ser sentida e compreendida como real, para que o homem possa, consciente de seu peso e valor,da sua capacidade infinita de criação e descoberta, tomar as rédeas de seu futuro...caminhar firme e decidido num caminho real, herdado do acaso da criação, mas, esculpido, moldado, lapidado e modificado pela mão criadora do homem e seu poder de racionalização...é o homem e sua inteligência fruto do acaso que gerou as condições para a vida, mas, é ele responsável por fazer sua história e seu destino...e ele jamais fará isso se lhe for, de qualquer maneira, aventado, que este mundo não é real...que a realidade é uma ilusão...que existe "algo" que nos conduz...enquanto o homem for escravo de uma subjetivdade transcendental, enquanto ele buscar uma "essência" para sua existência...o universo não é uma entidade viva, consciente, que rege nossa existência, nem existe um "Deus" que a tudo comanda e governa...não há "alma"...existe pensamento e vida que a casualidade criou...existe a realidade do universo...existe o homem, que se quiser, dominará este universo chucro e selvagem...ou destruirá seu mundo real em nome de uma imortalidade ilusória de um mundo inexistente...
eu defendo a realidade sensorial como real ou parte concreta e palpável deste real...real este que a cada dia se descortina ao gênio inventivo humano e suas ciências...e é sempre em caráter provisório que a "massa" ver a ciência, ela espera sempre uma nova descoberta...não vejo como não ser assim....e é exatamente a incerteza e não a certeza da realidade que destrói o planeta e a própria humanidade...é por não podermos ter a certeza que nossos atos vão destruir a terra, que o homem avança em sua destruição... é baseado nas afirmações de que nada existe, que nada é real, que uma boa parte da humanidade não se abstém de destruir impiedosamente a natureza, afinal, como se destrói o que não existe?...Por isso fico perguntando a quem realmente serve essa filosofia do inexistente?...essa incerteza?...não seria exatamente as religiões, as ideologias, aos dogmas que ela serve? A quem serve dizer e afirmar que a realidade não existe, que apenas criamos uma ilusão? que a "coisa em si não existe"?
Levar as pessoas a duvidar dos seus sentidos e escancarar a sua pequenez e pouca importância diante do universo, da natureza, ajuda alguém?

Trabalhar essa realidade sensorial possível de percepção do ser humano, formar uma definição consistente e palpável de real e nele colocar o ser humano como senhor de sua existência e construtor de sua história...não seria mais produtivo e filosófico? porque temos que trabalhar a subjetividade, a metafísica, como realidade se a nossa percepção sensorial é incapaz de alcançá-la?

temos a capacidade inventiva de criar artefatos sensoriais capazes de nos fazer ver uma parte dessa realidade...e a cada investida da ciência neste sentido, nos aproxima do real e ele é sempre físico...reproduzível em nossas experiências...não seria melhor criar pontes entre esse real e a realidade que tentar dar a realidade um papel de falsa?

5 comentários:

O Fantasma de Chet Baker disse...

Oi Manoel,
adorei o seu blog. Os textos estão ótimos. Se der, mas só se der, dá um pulinho no meu.
mil luas pra vc

Anônimo disse...

Há, obviamente, muito para saber sobre isso. Eu acho que você fez alguns bons pontos de recursos também. Continue trabalhando trabalho, ótimo!

Anônimo disse...

Esta é a minha visita, pela primeira vez aqui. Eu encontrei tantas coisas interessantes no seu blog especialmente a discussão sua. Do toneladas de comentários em seus artigos, eu acho que não sou o único a ter todo o prazer aqui! manter o bom trabalho.

Cerberus disse...

Obrigado!! Fico feliz que minhas elucubrações possam fazer alguém pensar, isso já vale todo o meu esforço!!!

Anônimo disse...

pós impressionante. Realmente gostei de ler seus posts.