quinta-feira, 25 de outubro de 2018
RETORNO A CAVERNA
Se penso, não sinto...
Pressinto o perigo, o risco
A loucura e o sentido!
Já não me parece incrível
Ou mera fantasia...
O real é uma mentira
Construída na minha mente
E, mesmo que tente,
Ou até mesmo que saia
E supere sem medo
A luz que me fere
Meus gritos serão sussurros,
Aos ouvidos presos na escuridão,
Incomodarão menos que insetos...
E se ouvido, serei calado.
Não existe a chave para os grilhões
Que foram impostos pelas paixões!
Meu verbo será minha sina,
Minha mente a prisão
E meu olhar meu castigo!
Viverei na escuridão da caverna,
Mesmo que meus olhos
Estejam inundados de luz!!!
Manoel N Silva.
domingo, 14 de outubro de 2018
IDEOLOGIA DE ESQUERDA
Eu não odeio e nem tenho raiva de verdades, adoro a verdade e sinceridade. Não acredito que as lutas politicas e sociais sejam diálogos dóceis e cheios de afagos e elogios...mas, não é e nem deveria ser, um discurso de ódio e preconceito. Discutir e confrontar ideologias é saudável e natural, na política e na vida. O que não é saudável é esse ódio e o desejo de extermínio do outro e suas ideias.
Em momento algum as esquerdas brasileiras abandonaram o discurso democrático. Esse discurso sempre partiu de personas. Sujeitos que transcendem partidos e ideologias e personificam-se como salvadores e paladinos, cavaleiros andantes de espadas nas mãos. Os partidos políticos, tanto de esquerda quanto de direita, sempre trilharam caminhos democráticos, embora alguns de seus integrantes, individualmente, pensem e ajam diferente. Eu sou de esquerda e defendo a democracia, como única via possível de mudanças sociais no mundo moderno. Asssim como a maioria das pessoas que eu conheço e comungam dos ideais de esquerda, também pensam assim. Sim, existem os radicais e cegos entre nós, como entre os de direita...mas, em ambos os lados, são a minoria.
Lutamos para realizar esses ideais. Não para destruir a sociedade em nome de Deus ou do diabo! A democracia é o valor mais caro para a esquerda brasileira que viveu a clandestinidade, a tortura e a morte, nos tempos ditatoriais da nossa história. Portanto, falar em democracia no Brasil, é falar na luta das esquerdas!
No mundo todo, as esquerdas são democráticas e apenas em alguns partidos ainda se comunga com um ideal de ditadura do proletariado, uma concepção que só fazia sentido no final do sec XIX e até meados do sec XX.
Hoje as ideologias de esquerda são democráticas e suas ideias não são de fundo revolucionário político e sim social. A revolução que as esquerdas atuais buscam é a revolução social, onde as pessoas vivam livres e mais equilibradas no que diz respeito às condições financeiras e sociais. Essa é a ideologia de esquerda e não essa caricatura que os memes descrevem por ai.
Não. Não existe e nem cabe mais, uma luta pelo poder político baseada em um sistema estratégico puramente teórico e que vise exclusivamente a ideologia. Como coloquei antes, o fim revolucionário não é simplesmente o poder e sim a mudança (não a destruição) da sociedade.
Mudam-se com políticas públicas que abranjam cada vez mais o conjunto da sociedade, educação para todos e de qualidade(ricos pagam, pobres não), estado intervindo sempre na mediação para evitar concentrações de rendas e empobrecimento. Políticas econômicas sempre no sentido de alargar o espectro dos beneficiários da riqueza produzida, sem necessidade de sacrifícios humanos.
Enfim, poderia detalhar tecnicamente as medidas e as políticas, mas essa é uma visão geral. Infelizmente para alguns e felizmente para muitos, ricos deverão arcar com maior ônus.
Manoel N Silva
quinta-feira, 11 de janeiro de 2018
O QUE PENSA UM ATEU
Não
creio em deuses, mas, compreendo que o homem, perdido nesse mundo sem sentido,
entregue a absurdez de uma existência sem propósitos, mergulhe em sonhos e
buscas que lhe justifique o viver.
O
homem, nessa sua ânsia de sentido, fantasia e cria ilusões de determinação,
parindo deuses e neles termina por acreditar e, assim, já preso aos seus
delírios, começa a criar conceitos e atribuir a esses o status de verdades
absolutas e inquestionáveis.
No
entanto, me intriga e espanta a força que essas ilusões ganharam e o quanto se
tornaram firmes os conceitos irracionais que tentam justificar a existência de
um Deus que pensa e carece de adoração, que se enfurece e destrói sem pena e
sem dó, sua criação.
Aceito
essa atitude no ser humano, mas, não compreendo como a grande maioria das
pessoas, que possuem as mesmas capacidades, os mesmos aparatos cognitivos que
eu e, que não raro, são muitíssimos mais capazes e eficientes em apreender e
processar informações e impressões que eu, aceitam e se satisfazem com essas
fantasias.
Tenho
alguns amigos que se tivesse de submetê-los a uma análise comparativa entre a
minha capacidade de compreensão do mundo e a deles, certamente as deles seriam
infinitamente superiores à minha. No entanto, em se tratando de coisas místicas
e religiosas, eles simplesmente ignoram as perspectivas do ponto de vista
lógico e racional, para se atirarem irracionalmente as crenças insustentáveis,
quando o sensato seria, pelo menos, suspenderem qualquer juízo, se colocarem
numa postura coerente de ignorância e incapacidade de apreensão diante de tão
frágeis construções intelectuais.
No
meu entender, essas atitudes são tentativas de significação, provocadas pelo
medo da indeterminação, o desespero e a angustia diante da constatação da
pequenez do homem, da completa solidão existencial. Órfão de criadores, o
homem, nega sua cognição e seus sentidos e se entrega a doce ilusão de um Deus
que lhe guia e ampara.
Eu
não consigo conceber-me determinado, fruto de um criador e preso a um destino,
um proposito preconcebido, por isso esse meu completo atordoamento, quando me
confronto com essa esmagadora maioria da humanidade, que crer, de alguma forma
em algum ser fantástico que lhe concebeu a vida e que por tal, exige dedicação,
adoração e sacrifício sem nenhuma contestação ou dúvida.
Não.
Infelizmente não posso ir contra a lógica, a racionalidade e a história,
principalmente esta última, que me mostra que a trajetória humana no mundo,
nega qualquer determinação ou destino. Não existem vestígios sólidos,
evidencias concretas, ou sequer, uma teoria consistente que nos aponte para uma
entidade criadora, de um ser que esteja além do acaso que possa nos ter dado a
vida.
A
própria vida é uma incógnita! Não existem parâmetros para que o homem possa assegurar
com toda certeza, o que é vida e o que não é. Quem poderá afirmar que o
inorgânico não é vida? Afinal, o orgânico nada mais é que elementos inorgânicos
que se combinam a partir do elemento carbono, então seria o carbono o criador
do homem, da vida? Honestamente, só posso afirmar que não sei.
Diante
disso, eu deixo tudo em aberto. Não me concebo nada mais do que me apreendo
pelos meus próprios sentidos e pela minha própria capacidade cognitiva de
processar essas apreensões, sem ressignificá-las ou submetê-las aos meus
desejos e anseios de sentido. Ou seja,
sou um ser sem sentido e sem determinação, incapaz de compreender a concepção
de criador e/ou me definir criatura, criação.
Manoel N Silva.
domingo, 22 de outubro de 2017
SOBRE O ARTIGO DE HANNA ARENDT, “ A CRISE DA EDUCAÇÃO NA AMÉRICA”

“A
Crise da Educação”, artigo sobre a crise na educação na América, tratada por
Hanna Arendt, bem poderia ser “a crise na educação brasileira” dada a
semelhança com que os problemas nacionais são refletidos nesse artigo escrito a
mais de meio século.
Mas, essa atualidade que encontramos nesse artigo, só comprova uma afirmação feita por Hanna, neste mesmo artigo, de que a crise na educação na América não teria características exclusivas aos EUA, e nada impediria que em um futuro previsível, ela acontecesse em qualquer outro país ou continente.
Mas, essa atualidade que encontramos nesse artigo, só comprova uma afirmação feita por Hanna, neste mesmo artigo, de que a crise na educação na América não teria características exclusivas aos EUA, e nada impediria que em um futuro previsível, ela acontecesse em qualquer outro país ou continente.
Em
um primeiro momento, Hanna Arendt nos diz que a crise na educação tem como
essência o nascimento. Ou seja, o nascimento de seres humanos que aportam diariamente
no mundo. Geração após geração, esses pequenos seres precisam ser apresentados
e inseridos nesse mundo, para que possam nele viverem. Essa mediação tem como
protagonistas, os adultos. São eles que precisam assumir essa condução, através
de ações educadoras e protetoras, pais, professores e autoridades, precisam ensinarem
e protegerem esses pequeninos, conduzindo-os por esse mundo antigo e quase
sempre fora dos “gonzos”, para que esses possam modifica-lo e recolocarem-no no
caminho devido.
Diante
desse desafio, a Educação, pilar fundamental na formação dessas crianças e
jovens, se encontra em crise e, como antes mencionado, não é uma crise ligada simplesmente
a uma questão territorial, com características intrínsecas a um país. Essa
crise na educação tem raízes universais, fincadas nos aspectos fundamentais da
modernidade.
No
que diz respeito aos fundamentos modernos, os principais consequentes da crise
na educação se referem aos aspectos da privacidade e perda de autoridade, fenômenos
que perpassam nosso mundo moderno. Essa imersão do privado no público, fez com
que adultos e crianças perdessem o que antes era o seu porto seguro, aquela
fortaleza entre quatro paredes, onde nos protegíamos e as nossas crianças dos
olhos do público. As guerras e as transformações sociais e políticas, a
reorganização mundial e todos os problemas que daí advém, atingem a educação em
todo o mundo e a crise se manifesta em diferentes nuances em cada nação.
Na
América, essa crise se torna política, avança e se manifesta em cada cidadão
leigo, visto que, na América, essa dimensão está intrinsecamente ligada a
educação. A educação desempenha aqui um papel importantíssimo. Sendo a América
um país de imigrantes, só a educação dos filhos dos imigrantes, já que na visão
de Arendt, não é possível educar adultos, pode fundir as diversas culturas e
etnias, não completamente, porém numa contínua jornada.
Não
é também uma questão de imaturidade da Nação americana, haja visto que é nesse país
que as pedagogias mais modernas foram acriticamente e imediatamente implantadas,
portanto, no que diz respeito a educação é na América que temos o de mais atual
e moderno em matéria de procedimentos pedagogos. Dados esses aspectos gerais e
particulares da crise americana da educação, Hanna Arendt vai nos fazer
mergulhar nela, e descortinar as grandes medidas adotadas Na Educação que,
segundo ela, são as principais causas da crise:
A
primeira delas é a ideia de um mundo da criança, uma sociedade das crianças,
até certo ponto autônoma e, consequentemente, podendo se auto gerir. Nessa
perspectiva, o adulto se torna um mero expectador do desenvolvimento da
criança. Dentro dessa ideia outro ponto é que a criança não é tomada
individualmente e fica à mercê do grupo das crianças, enquanto que os adultos
estão à parte, impossibilitados de intervir. No grupo a criança está pior do
antes, pois está subjugado a autoridade de um grupo e um grupo de crianças, por
assim ser, não pode dialogar exatamente por serem crianças, os adultos,
separados, destituídos da autoridade, só podem observar e torcer para que não
aconteça o pior. Libertada da autoridade do adulto a criança se encontra agora
sob a tirania da maioria.
A
segunda é a ideia basilar é diretamente ligada ao ensino. As psicologias modernas
e as doutrinas pragmáticas tornaram a pedagogia uma ciência do ensino geral, ou
seja, um professor não é mais aquele que domina uma disciplina, que detém
autoridade intelectual sobre o que ensina. Ele agora é um “monitor” que sabe um
pouquinho de tudo, ou seja, não domina um conhecimento específico, uma área. Dessa
maneira, a formação dos professores foi negligenciada em seus aspectos específicos,
frequentemente ele sabe pouco mais que seus alunos, principalmente no EM. Em
função disso o aluno está entregue aos seus próprios meios e o professor perdeu
a sua autoridade intelectual, o que ele tinha de mais legitimo.
A
terceira ideia-base vem justamente da aplicação prática de uma moderna teoria
da aprendizagem, que nada mais é do que a base substancial da modernidade e do
pragmatismo: a ideia de que não se pode compreender e saber senão aquilo que se
faz por si mesmo, dessas duas ideias anteriores. Na realidade esse é um princípio primitivo,
que é substituir o aprender pelo fazer. Este é um argumento muito usado pelos
pais que querem que seus filhos parem de estudar para trabalhar, por exemplo.
Dessa forma, pouco importa se o professor domina sua disciplina, já que seu
papel é de mero “instrutor”, ele não vai transmitir conhecimentos e sim técnicas
de aprendizagem, habilidades. A ideia não é passar um saber, mas, condicionar
um "saber-fazer".
Hanna
concluiu dizendo que a crise atual na América, é fruto da consciência da natureza
destrutiva desses três eixos bases e da tentativa de mudar totalmente esse
sistema, mas, segundo ela, o que está se fazendo é restaurar a autoridade e
retornar ao aprendizado, substituindo o fazer pelo aprender e o jogar pelo trabalhar.
Por
isso, no início desse texto, disse que poderia hoje, ser republicado com o
título de “A Crise na Educação Brasileira”. O que vejo aqui não é uma crise
americana dos anos 50, o que enxergo nesse artigo é a realidade brasileira, a
história se repetindo, os mesmos erros sendo cometidos e cada vez mais, o “Joãozinho
não sabe ler”.
Manoel N Silva
sábado, 9 de setembro de 2017
E AGORA, TUCANOS?
Após um ano da saída de Dilma do governo, ainda não vi nenhum efeito
real de mudança das coisas no Brasil, ou melhor, de mudanças que
efetivamente são favoráveis aos brasileiros da classe média e pobre, ou
de empresas de médio e pequeno porte. Todas as ações favorecem o capital
especulativo, bancos e grandes empresas e conglomerados e mega
latifúndios.
Infelizmente o que constato é uma crescente queda no emprego formal, um aumento significativo no fechamento de pequenos negócios regulamentados e um número cada vez maior de pessoas na informalidade.
Enfim, o Governo arrochou, cortou, vendeu ou pretende vender estatais,
precarizou boa parte das instituições educacionais, de segurança e
fortaleceu comunicações, transportes e latifúndios. Cortou investimentos
e fecha acordos recessivos com os estados endividados. Despreza o meio
ambiente e ameaça cortar direitos adquiridos pelas populações
quilombolas e indígenas, reduz reservas ambientais e ameaça liberar e
legalizar invasões a terras protegidas, favorecendo as grilagens e
punindo a natureza.
Como se isso tudo já não fosse o bastante, o
rombo nas contas públicas só aumenta, a previsão aumentou em cerca de 20
bilhões, o salário mínimo previsto teve redução em R$ 10,00. Boa parte
da cúpula do governo, inclusive o Presidente, ou está denunciada ou pode
vir a ser denunciada. O combate a corrupção, grande bandeira levantada
pelos milhares de manifestantes nos domingos da paulista, perdeu força e
cambaleia ferida de morte pelos articuladores palacianos em acordos no
parlamento e no judiciário, como revelam as gravações da JBS...
Diante de tal conjuntura, não me espanta nem um pouco que o povo,
cansado desse jogo marcado, onde todos são cúmplices e culpados, se
jogue nos braços de Lula, ignorando qualquer suposto crime, visto que de
fato, o que existe de concreto e positivo, são os atos e fatos
ocorridos nos últimos 12 anos de governo petista.
Manoel N Silva
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