segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

ANGÚSTIA




Os abismos se fazem
quando olho para dentro de mim
são momentos que se alongam em horas
vazias e pesadas...
E meu peito comporta e marca!
São pedaços vazios
ou pedaços de um vazio
que constituem minha'alma.
São verdades em falsete,
que constroem a agonia em versos
e os inversos desta poesia
São mentiras de minha boca
que nessa ânsia de razão
se perdem nos fragmentos
dessa outra ilusão.
São os abortos dessas noites:
os dias natimortos que alimentam
minha existência.
Manoel Nogueira
Fortaleza, numa noite qualquer de 1983

sábado, 9 de agosto de 2014

SOBRE EDUCAÇÃO, VIOLÊNCIA, PROFESSORES, ALUNOS E RELAÇÕES HUMANAS NESSE UNIVERSO ESCOLAR...


             Leio, vejo e escuto nas redes sociais, nos papos entre colegas, TVs, jornais, revistas, nas salas de professores, nos blogs, nos sites de vídeos, imagens e relatos de violência nas escolas, agressões a professores, alunos que são humilhados, vitimas de bulling, preconceitos, etc. Lamentos de colegas com relação a gestores que se colocam sem se preocupar em olhar ambos os lados, denúncias de posturas patriarcais, protecionistas, conveniência política. Relatos que dão conta de gestores que muitas vezes punem injustamente professores. Por outro lado, relatos de professores que também se revelam corporativistas, que se protegem e alinham-se com aqueles professores que realmente estão errados, mesmo em detrimento do aluno.
        
               Igualmente, existem aqueles professores, mais radicais que defendem uma disciplina rígida e inflexível para os alunos. Alguns professores dizem que devemos enfrentar e impor a disciplina. É verdade que necessitamos de medidas disciplinares mais rigorosas e de parâmetros que definam as relações professor-aluno, de forma a tornar viável o processo de educação neste país. Mas, eu, particularmente, não aconselho a enfrentar esses alunos problemáticos e em risco potencial de abraçarem a marginalidade como caminho a seguir em suas vidas. Proponho uma ampla discussão e a adesão de Estado, Escola e Família, a um Pacto pela Educação que vise unificar as regras e os parâmetros disciplinares, visando proteger ambos, profissionais da educação, professores e alunos. Pensar e aplicar uma politica educacional que integre aluno-escola- comunidade, construindo assim, um vinculo de responsabilidade com as famílias e a comunidade em geral. Direcionar o processo de Ensino e aprendizagem, para as necessidades profissionais e aptidões dessas comunidades.
            
              De preferência uma Escola em tempo integral que mescle a formação profissional, cultural e a educação regular. Professores realmente preparados para lecionarem as suas disciplinas e não improvisados em disciplinas que desconhecem. Formação continua e gratuita desses profissionais. Salas de aulas com no máximo 30 alunos. Valorização e reconhecimento do professor... E por aí vai!
Devemos entender que gestores são também educadores e professores, não é um confronto interno, uma caça aos culpados que vai melhorar as condições do professor dentro da sala de aula, na escola e na própria comunidade. Gestores, profissionais técnicos, professores e alunos devem formar uma comunidade escolar coesa e afinada com os objetivos almejados.

            Tenho como principio que discussões e conversas, troca de ideias e propostas, não são inúteis. Tenho como certo que é assim que surgem soluções para a grande maioria dos problemas e são nesses confrontos ideológicos que nascem as ações concretas que muitas vezes desaguam em soluções ou, pelo menos, caminhos que se abrem para elas. Existe ainda, uma parcela de profissionais da educação que querem criminalizar adolescentes, culpá-los por todas as mazelas, pela violência geral e trancá-los em celas, sem chance de recuperação. Sem falar na postura do Estado, que toma para si a tutela das crianças e adolescentes, mas não coloca para isso uma estrutura capaz de amparar essas crianças, sobrecarregando a Escola com responsabilidades que não condizem com seus objetivos.
     
         Infelizmente, posições radicais, declaradamente corporativistas, penso que não sejam as corretas e, certamente não agregam nenhum avanço na questão geral, e olhe lá se não representar um retrocesso, pois, me parecem posturas de conflito e enfrentamento meramente classistas. Não que eu seja contra a união e o fortalecimento da classe dos professores, muito pelo contrário, uma classe unida e uma representação forte e identificada com a classe e suas necessidades e anseios é um dos pontos fundamentais para construir uma solução para a educação.

           Fica evidente, diante do exposto, que há um enorme descompasso entre os interesses dos alunos, dos professores e do Estado (que se reflete na gestão), Mas é exatamente por isso que devemos privilegiar o debate e o embate de ideias e propostas, avançar nos diálogos e negociações, buscar com esses meios um conjunto de propostas que possam fazer a intercessão dos interesses conflitantes desses citados.

          A Educação, não é uma classe e nem poderia ser unânime em interesses, visto que a própria sociedade vive esse conflito de interesses em todas as suas relações. O que precisamos é buscar nos interesses alheios aqueles que também podem ser os nossos, compreender as nuances conflitantes da nossa realidade e encará-las sem idealismos.

          Sou completamente contra posturas meramente protecionistas. Evidente que, casos acontecem em que gestores se colocam de forma paternalista diante de acontecimentos que ensejariam uma postura de justiça e imparcialidade. Gestões assim não se pautam em princípios democráticos. A postura desses gestores deveria ser a do dialogo e da busca de soluções para o problema e não a busca de um culpado, já que por tudo que sabemos e vivemos, temos a certeza absoluta de que não há "um" culpado nesses problemas, isso faz parte de uma conjuntura maior e mais complexa, onde não cabem indivíduos como culpados. Além disso, é necessário que lembremos sempre que o aluno, infelizmente é sempre uma vitima, queiramos ou não. Fugir disso é ignorar a realidade social em que vivemos. Todo dia, só na nossa cidade, pelo menos um jovem menor de 18 anos é assassinado. Não é trancafiando crianças e promovendo a bandidos as vitimas ou exterminando-os que vamos gerar a paz que tanto se almeja.
 
              Escuto e vejo também, em programas de TV, telejornais, jornais e revistas, reportagens sobre heróis da Educação por esse Brasil sem fim, histórias de talentos especiais, professores que mudaram a forma de educar, principalmente em áreas remotas, onde o Estado não consegue exercer seu poder homogeneizador e impor seus parâmetros educacionais e nem sequer chega a ser sentido como algo real. Enfim, acho louvável e admiro muito esses talentos e heróis. Mas, a história nos mostra que sempre existirão em condições extremas de necessidade, seja na Educação ou em qualquer outra instância das relações humanas.

           Portanto, em se tratando da Educação, não acredito em soluções pontuais, em gênios ou projetos isolados, baseados em talentos individuais. A solução para a Educação, no meu entender, deve envolver ações e projetos federais, estaduais e municipais, integrados com a sociedade e com o contexto socioeconômico dos diferentes estados e regiões.
  
          Por outro lado, também não penso como muitos dos meus colegas de profissão, que seja retrocedendo para práticas tradicionais que vamos solucionar os problemas da Educação. O que precisamos é rever esses métodos ultrapassados de ensino e aprendizagem e compreender que não podemos mais ter esse professor que ensina e um aluno que escuta. O dinamismo da nossa realidade não comporta mais esse modelo. Precisamos nos adaptar as tecnologias e utiliza-las para interagir com os alunos. Celulares ( o grande vilão e terror dos professores), tabletes e outros dispositivos que tanto ocupam a atenção dos alunos não devem ser combatidos e banidos, devem ser explorados e utilizados em favor da Educação..

        O processo de aprendizagem e ensino precisa ser modificado, renovado e os professores reciclados em suas didáticas. Os parâmetros curriculares, as diretrizes e as orientações que fundamentam a Educação no Brasil, o novo modelo de avaliação do EM, o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) exigem um novo processo de aprendizagem e ensino, pois primam pelas habilidades e competências e não pelas disciplinas e conteúdos. Tenho comigo que um grande problema para a maioria dos envolvidos diretamente na educação é não entenderem esse processo, não saberem como esse novo modelo de avaliação realmente deve funcionar, inclusive as próprias Secretárias de Educação, não sei se por falta de estrutura ou por mero descaso dos governos, ou ambos.

            Sei também, que esse descompasso entre o que está escrito na lei e o que realmente é colocado em prática, não é um problema exclusivo da Educação, esse estado de coisas se repete em todas as instâncias da nossa sociedade. É fruto de um desencontro de objetivos, dentro das próprias estruturas do Governo e, que o problema da Educação é complexo e exige dialogo e mudanças de comportamentos e métodos de todos os envolvidos!

              Por isso reitero aqui a minha posição de que caçar culpados, fincar trincheiras corporativistas e defender modelos arcaicos de educação e moral, não vai resolver os problemas conflitantes e as dicotomias dentro do universo escolar. O que realmente precisamos é ampliar o diálogo e as discussões em todas as instâncias da sociedade para diminuir os descompassos entre as necessidades dos professores, dos alunos e do Governo. Assim quem sabe, possamos em curto prazo, dar inicio as mudanças que já deveriam ter começado pelo menos, há trinta ou quarenta anos atrás!


Manoel N Silva

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Sobre a reação das empresas e alguns politicos à Resolução do Conanda...




Devia ser proibido publicar tanta idiotice de uma vez só! É deveras enojante, chega a provocar náuseas essa pirotecnia intelectual. Esses contorcionismos verbais na vã tentativa de dar credibilidade e vez a propagandas agressivas e cada vez mais longe do universo infantil. Não foi o Estado que resolveu ser mau e afastar as propagandas da televisão, foram as indústrias e o comercio de brinquedos e artigos infantis, que em suas desmedidas pretensões, distorceram tanto o universo infantil, nas suas propagandas, que praticamente obrigaram o Estado a intervir, do contrário, em pouco tempo, toda a beleza da inocência e espontaneidade infantil sucumbiria e, em vez de crianças inocentes e espontâneas, estaríamos lidando com pequenas miniaturas caricaturadas de adultos.

Não nos tornamos consumistas porque na nossa época além de os desenhos animados não estarem voltados exclusivamente para o consumo. Muito, pelo contrário. Apesar da grande maioria deles serem de ideologia americana, não exacerbavam o consumo e o culto a imagem e a violência gratuita, como hoje podemos verificar, inclusive nos próprios traços dos desenhistas. E mesmo assim, não são os desenhos e programas infantis que deturpam o universo infantil. São as propagandas, cada vez mais, fora de qualquer referentes ao universo infantil. Os patrocinadores não aparecem porque para eles não interessa a qualidade da educação que nossos filhos e netos estão recebendo e nem que valores estão desenvolvendo. A eles só interessam o consumo de seus produtos e o lucro que lhes vão proporcionar.

Por isso é que não encontro nestes muitos textos que li e que criticam a ação do governo no sentido de coibir as propagandas agressivas e fora de contexto infantil, nada que contribua para que condenemos a ação governamental e sim um reforço na certeza que as atitudes estatais são as mais corretas e adequadas diante do quadro que se apresenta.E muito mais, nos mostra que quem defende esta publicidade sem parâmetros e sem ética, usa de artifícios e relações que não são expressões da realidade. Faz comparações sem nexo real, manipula os dados para culpar a lei e não os patrocinadores pela falta de programação infantil, desvia o foco do problema e enfatiza o financeiro em detrimento do social e educacional. Esquece que as leis que regulam as concessões de televisão estipulam um percentual de tempo para que sejam exibidas programações culturais e educacionais. Independentemente de patrocínio ou não, cada concessionária deve e a lei obriga a manter essa programação. se elas não mantém deviam ser punidas.

De maneira alguma devemos submeter a programação infantil aos desejos desenfreados do lucro. Se as empresas de brinquedos e artigos infantis querem conquistar o publico infantil, que o façam com regras e respeito as fases da infância, ao universo das crianças. Que estas empresas se adequem e proporcionem propagandas interessantes e criativas, que despertem o interesse das crianças em seus produtos de forma natural e não uma imposição violenta do universo adulto, provocando uma caricaturização tosca, artificializando e queimando etapas do aprendizado e crescimento humano.


Manoel N Silva.

terça-feira, 1 de julho de 2014

O Muro

( foto: Vladimir Kush)

Esta é uma incursão no conto O Muro, que dá nome a coleção de narrativas que rendeu o Nobel da Literatura a Jean-Paul Sartre, em 1964, e o qual ele recusou.   Nesta obra o existencialismo, a consciência do eu e do mundo em redor, se coloca mais que evidente, o absurdo se revela nas situações vividas por personagens que lutam por se encontrarem e por enfrentarem o seu destino e a falta de sentido da vida, desmascarando a completa impotência humana diante de suas próprias escolhas. A liberdade esmaga o desejo e despe todas as emoções do homem, deixando a mostra e escarnada, a real condição humana.

Tendo como cenário uma cela úmida, escura e gelada, desenrola-se a trajetória de três homens feitos prisioneiros. Tom Steinbock, Pablo Ibbieta e Juan Mirbal, suspeitos de agressão aos falangistas, estão presos no porão de um hospital semidestruído pela guerra civil, a espera de serem fuzilados.  
Pablo Ibietta, impotente diante do destino imposto pelos inimigos, nos conta sua trajetória até ali, revelando-nos uma história tensa, sobrecarregada, lúgubre plena de emoções genuinamente humanas.

Aos poucos vamos adentrando nesse mundo descrito com emotividade acentuada, as passagens são lentas, longas, refletindo o pavor vivido por Ibietta. A narrativa é viva, mas, o tempo se arrasta lentamente, acelerando o coração do leitor, sustendo sua respiração que, nessa altura, já vive o medo, o absurdo e a tensão do protagonista, compreende o horror que corre nas suas entranhas, enquanto conta os momentos para o desfecho final de sua vida, recorda e reflete sobre seus atos na obscuridade dessa noite paradoxal, em que, se por um lado a angústia da espera torna lenta, por outro, a certeza da morte a acelera.

Sartre, pela “voz” de Ibietta, consegue neste conto, o ideal de todo escritor: descreve muito mais que a própria imagem poderia conter, concede realidade, materialidade visual e sentimental a palavra escrita. As passagens são plenas, robustas, recheadas de existência e emoção. Principalmente na passagem em que Ibietta, pensando em sua amada, decide que não quer mais vê-la. Diante da impossibilidade humana de viver o sentimento do outro, compreende que está só, nem ela, nem ninguém poderá sentir o que ele sente nesse momento e em nenhum outro momento. Ele, com essa decisão, quer ainda preservar a ilusão da compreensão mutua, do compartilhamento sentimental, que certamente a presença de sua amada quebraria, quando frente a frente, seus olhos se encontrassem, e então a certeza absoluta da solidão humana lhe cairia nos ombros e pesaria mais que a espera angustiante da morte iminente.

Steinbock, Ibbieta e Mirbal, estão a algumas horas de encarar um muro. Muro esse que nenhum deles se preparou para enfrentar, um muro que é a própria representação da vida, a trajetória final do ser humano na sua existência absurda e finita, a morte e sua fatalidade imprevisível e certeza indiscutível.

O comandante manda um médico belga, registrar o comportamento dos prisioneiros, é também lhes oferecido um padre, no entanto o silencio frio é a resposta dos três... Deus não tem utilidade!

Juan, o mais jovem e inexperiente, apesar de consciente de seu destino fatal, constrange os outros geme, chora, treme e reclama, sem saber como reagir a isso. Depara-se com o absurdo, não compreende a inutilidade de sua vida e mais ainda a injustiça de sua morte. Busca sentido para a morte sem entender que não há sentido, a morte é e só! 

Tom examina as coisas e objetos ao seu redor, no canto um monte de carvão, o banco em que está sentado o buraco do lado esquerdo do teto, os amigos... Nada faz sentido, ele se coloca indiferente, ausente.

Finalmente, Ibietta, vazio de pensamentos, analisa sua vida e, com tristeza, constata que levou “todo o tempo a abrir caminhos para a eternidade sem atingir coisa alguma”, a vida é uma “grande ilusão”, essa carga que embora pesada, diante da contingencia ou não, perde qualquer peso. Ele tem consciência da sua insignificância, essa situação-limite lhe proporcionou a visão crua da sua existência. Pensa em Concha,  “ainda na véspera cortaria um braço para a tornar a ver durante cinco minutos”, “aqueles dois sujeitos agaloados, com seus chicotes e botas altas”, o “bigode do falangista”, o “rato debaixo dos seus pés”, nada agora vale algo, diante da certeza da morte. Nem a Espanha, a grande causa que lhe motivou a luta, a fuga e também o destino pelo qual agora aguarda, podem apagar a visão clara e distinta que agora se faz na sua consciência, a vida revelada no seu não-sentido... Não há mais nada porque lutar ou qualquer coisa para se apegar, ele agora só tem a sua frente o muro...

No arremate final, Ibbieta diz: “Tudo rodopiou à minha volta e achei-me sentado no chão: ria tanto que me vieram lágrimas aos olhos”. Nada teve importância, tudo inútil, ele escapara da morte sem nenhum esforço seu... O muro caiu sem que ele mexesse um dedo sequer!!

O riso é o fecho desta narrativa, visto que o absurdo é a perda total de qualquer contato com as coisas, é a negação do ser, e a permanência neste estado, só tem por fim o choro ou o riso, e é exatamente o riso que acontece a Pablo, pois já ria quando media sua vida na busca desesperada de encontrar sentido para ela, saber se ela valeu ou não a pena, sem se dar conta de que a vida é, sem mais nem menos. O riso, diante da solidão humana, da falta de deus ou promessa de paraíso é a reação contra esse nada. É a única transcendência possível.

SARTRE, Jean Paul, O Muro, edição 20, NOVA FRONTEIRA, Rio de Janeiro, 2005.

Manoel N Silva


















sexta-feira, 16 de maio de 2014

Mais sobre Direita e PT....


      Não vejo, no contexto atual, espaço para o avanço dos nossos velhos e ultrapassados direitistas, eles se perderam no tempo e não seduzem mais o povo com seus discursos baseados em retrógrados posicionamentos maniqueístas de esquerda e direita.
     Portanto, apesar de não está satisfeito com o Governo do PT, infelizmente é ainda o que mais se aproximou de atender aos anseios populares. No meu entender, foi o que mais investiu em educação superior, democratizou os acessos a essa educação e implantou políticas de bolsas capazes de segurarem esses estudantes na universidade até a formatura. Com isso, a classe trabalhadora, os filhos de operários, comerciários e agricultores, pobres, negros obtiveram a real oportunidade de adquirir formação técnica e humana, e assim, tornarem-se agentes de mudanças em suas condições e de seus familiares a médio e longo prazo.

    Só por isso o Governo do PT mereceria elogios, pois, dizer que é "através da educação que se engrandece uma nação", não é uma mera frase de efeito. Mas, concordo que ele fez pouco, não avançou nas outras áreas, não insistiu em uma reforma política, previdenciária. Usa de métodos também ultrapassados e está longe de atender a todas as necessidades do povo brasileiro.

      Diante disso, ouso dizer, que a solução para o Brasil não está posta atualmente, não é fugir do PT e nem muito menos abraçar as causas obsoletas do nosso teatro político. A solução é forjar nesse meio lideranças que se abram para a realidade atual, que se apoiem no que está posto e não no que foi legado por nossos antepassados, haja visto, estas soluções já não serviram antes e muito menos serviriam hoje.

     Precisamos, principalmente os jovens, compreender o caráter diverso da condição humana atual, não existem mais dualidade ideológica, a multiplicidade de relações que se cruzam e se entrelaçam não permite mais, simplesmente dois lados, O bem e o mal, direita e esquerda, socialismo, capitalismo...o mundo é múltiplo, tanto culturalmente como politicamente e economicamente, falando.





Manoel N Silva


quarta-feira, 16 de abril de 2014

FORÇA NACIONAL NO CEARÁ


Sou contra porque é absurdo. Simples assim. Só na Cabeça dos "capitães nascimentos" é que o Ceará necessita de Força Nacional... Mas, Já que eles desejam tanto a Força Nacional, deixa para a Próxima greve dos policiais, ai sim realmente precisaremos!!
Claro que temos nossos problemas. No entanto, devemos debatê-los e tentar resolve-los politicamente, no amplo debate e não com ajuda e intervenção Federal. Mas, claro para isso devemos ter políticos e não militares debatendo essas questões!!!
O Cearense corre o mesmo perigo que qualquer um de nós corre. E não é por isso que vou me entregar nas mãos de militares, ou renunciar a minha liberdade em nome de uma suposta segurança. Temos problemas sim, mas os problemas não são passíveis de solução, com medidas de simples punição, são políticas de educação, emprego, urbanização, moradia, infraestrutura básica (água, esgoto e energia elétrica) saúde, transporte e segurança pública, unidas e convergindo para as raízes dos problemas sociais, que são os grandes geradores de violência urbana.
Não vai ser um espetáculo pirotécnico para eleitor apreciar, um monte de gente fardada e pomposamente chamada de Força Nacional, que arbitrariamente vai solucionar os problemas da violência seja aqui, seja em qualquer lugar do mundo.
Solução imediata é paliativo, é igual aquele remedinho que nossas avós usavam para ferimentos, um pó antisséptico que tampava superficialmente a ferida, gerando uma "casca", enquanto apodreciam internamente os tecidos, até estourar numa chaga já, muitas das vezes, sem jeito!!
Não, eu prefiro medidas de longo prazo, claro! Combinadas com remédios imediatos, que se não curam, pelo menos tratam, aliviam e ajudam no longo caminho da convalescência. Mas, não para mascarar e minar a saúde sorrateiramente, aliviando a dor imediatamente e matando posteriormente!
Acredito na via politica, na troca de ideias, na discussão, no debate político, consciência e senso crítico, no olhar a realidade como ela é, e não como querem os politiqueiros de plantão, lutar por educação, saúde, politicas claras e com mudanças em longo prazo, medidas que vão atacar a raiz das causas dos problemas e não simplesmente os efeitos.
Pena de morte, Força Nacional, Intervenção militar, porte de Armas, queda da maioridade penal, tudo isso é complicador e não solução. Essas coisas, essas bandeiras só sevem para eleger politiqueiros, oportunistas e, no fim das contas, muito mais pioram do que resolvem.
Não pensem que um montão de soldados armados na rua é a solução. Isso não é verdade, o importante é a qualidade dessa força policial, não adianta zil soldados na rua se eles não estão moralmente e psicologicamente preparados para tal, além de que, a corrupção nas forças policiais não é nada rara, muito pelo contrário... E isso não é segredo nenhum!!
E, falando sério, se eu fosse Policial Militar nunca mais votava nesses parlamentares que votaram a favor da intervenção da Guarda Nacional, pois eles não estão preocupados com os policiais realmente, se estivessem deviam confiar nesses homens e lutarem para criar condições para que eles tivessem salários dignos, formação profissional de qualidade, apoio psicológico, formação continuada, material de qualidade, instalações modernas, viaturas suficientes( e combustível) e uma policia forense equipada e eficiente, capaz de utilizar todo o seu potencial teórico e humano em desvendar os crimes. isso sim, seria uma posição de defesa da policia e dos cidadãos do Ceara. Não ficar gritando por Força Nacional.
A Força Nacional é para crimes e situações extremas. O Ceará não está em pior nem melhor condição do que todos os outros estados do Nordeste.
O problema maior é que não é o Governo que deve colocar essas medidas como prioridade e sim as pessoas, os cidadãos, os homens de bem. Justiçamento, confronto e vingança, pura e simples, como boa parte dos cearenses coloca como solução, não resolve nada, piora até!
Nós é que devemos direcionar nossas ações nesse sentido, buscar representantes que realmente tenham história e convicções, passado de luta e não acreditar em aventureiros de ocasião, que se fazem heróis repentinamente, sem história, sem passado e certamente sem futuro.
Nenhum Governo vai fazer mudanças se o povo não as quiser. Principalmente porque esse Governo que ai se encontra não representa a sociedade brasileira em sua maioria, não está comprometido com as classes mais necessitadas e nem com os problemas mais urgentes do nosso povo.
A Guarda nacional não é representante do Povo e muito menos vai direcionar seus esforços para ele, senão para manter o que ai está, para defender o Governo, o Estado. Ela não vai lhe dar segurança na periferia, fazer patrulhamento na pracinha do seu bairro ou prevenir assaltos no ponto de seu ônibus. Tolo é aquele que acredita em intervenção, seja em que nível for, seja em que instância.
Queremos mudar isso? Sejamos então agentes de mudança e não papagaios de politiqueiros, macacas de auditório de heróis de brinquedo... Usemos então, o que temos de mais legitimo e revolucionário: o conhecimento!! Somos nós que temos nas salas de aulas meninos e meninas que serão certamente os eleitores de amanhã. Em vez de lhes ensinarmos à violência, o medo, a vingança, a se armarem, as descrenças na classe política e nos caminhos da democracia; coloquemos em suas mãos as ferramentas do esclarecimento, do senso crítico, da história, e com certeza eles terão como construir caminhos mais amenos, se fazer representar com mais legitimidade. Não se deixarão enganar por discursos eloquentes, emocionados e supérfluos, que só servem para enfumaçar a realidade e confundir o povo.
Manoel Nogueira da Silva

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014


Ditadura.



       Naturalmente que não há o perigo urgente de uma ditadura e, talvez, nunca mais venham a existir, ditaduras como eu as conheci nas décadas de 60, 70 e 80, A configuração atual, com comunicações instantâneas, a rede mundial com imagem e som ao vivo e a cores dificultam a articulação e a organização e, principalmente a manipulação da sociedade, o direcionamento da opinião publica e a criação de um inimigo de todas as classes, que serviria como fator de união e superação das diferenças ideológicas.


         Por isso, o que temo mesmo é a crescente disposição da sociedade para o conservadorismo, a intolerância, o preconceito. a proliferação de seitas e religiões radicais, fanatismo politico e religioso. Fatores esses que podem nos levar a um governo de exceção, sem necessariamente passarmos por um processo violento e traumático.


       Portanto, meus caros, esses "formadores de opinião", esses especialistas de televisão, essa mídia massacrante e manipuladora, cada vez mais, proporcionam que cheguem ao poder pessoas com tendências autoritárias e conservadoras. Nas nossas casas legislativas, se formam blocos e bancadas cada vez mais reacionários e preconceituosos, sejam de fundo ideológico religioso ou politico. As minorias são cada vez mais deixadas de lado, sob a alegação da busca de um bem comum, geral, que vai beneficiar a sociedade como um todo.


    Com isso, surgem aqui e ali, propostas, leis, regras e costumes que vão condicionando a sociedade, esmagando as liberdades, sem alarde e sem foguetório, sem causar aparente ruptura. Hoje, se usa a violência (o medo da), para aprovar leis de exceção, controle das classes mais pobres, exclusão e marginalização das minorias, descrédito da classe política e criminalização dos movimentos sociais.


      Dessa forma e, assim colocado, não temo esses que gritam inflamados por um Golpe, por uma ruptura violenta. Não, meu medo se origina daqueles eu se aproveitam desses discursos inflamados, dos acontecimentos aleatórios, dos fatos diários da violência urbana, dos ânimos exaltados, e então, maximalizam e generalizam, para criar ambiente propício para fomentar o descredito, o caos e assim criarem as leis, permitirem as medidas de exceção que nos conduzem ao estado de exceção, sem sequer nos apercebermos de tal fato!


Manoel Nogueira

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Sobre MMA e UFC...




Não critico o mau ou o bem, simplesmente abomino o irracional, o sem sentido do "esporte", a violência gratuita e a desmedida valorização dos instintos.

Eu me pergunto como poderemos nos indignar com a violência das ruas, dos jovens que espancam homossexuais, índios, mendigos, brigas de gangues e a violência nos estádios, se nos sentamos confortavelmente em nossos sofás e vibramos com dois animais humanos que se agridem e sangram em nossa sala de jantar, na frente dos nossos filhos, enquanto degustamos tranquilamente a nossa cerveja e deliramos a cada soco, a cada corte e nos deliciamos com o sangue que jorra das faces inchadas e desfiguradas dos contendores na tela de 40 pol. da nossa TV de plasma, com qualidade digital?

O problema de o humano ser violento naturalmente, não justifica a naturalização da violência numa sociedade moderna. Muitos dos argumentos usados para justificar essa violência nos esportes vêm dos antigos romanos e gregos (espartanos). Os romanos e gregos, tinham uma cultura na qual o centro era a honra adquirida pela conquista. A guerra, naqueles tempos, era a única maneira de se conseguir esse ideal de honra, estimular o gosto pela guerra, pela conquista e dominação do outro, era já uma propaganda, ou seja, um artificio e não uma "natureza humana".

Outros tentam justificar pela teoria da evolução, pela guerra da sobrevivência e manutenção da espécie, mas, nem isso justifica, visto que a evolução humana (no sentido puramente da sobrevivência) nos aponta claramente para uma busca gradual de coletivos, de comunidades que garantam a segurança e a paz e mantenha a sobrevivência e a espécie. Os fins, mesmo quando buscados com meios violentos, não nos apontam para uma violência natural e sim que o ser humano naturalmente foge dela.


Portanto, não há como negar a violência existir naturalmente na natureza, mas, daí a querer justificar a violência e racionalizá-la baseada nessa conclusão, ignorando todos os, também inegáveis, argumentos históricos que nos revelam essa fuga da violência, e mais, alegando motivos econômicos e sociais, é de uma hipocrisia sem medidas!