terça-feira, 21 de setembro de 2010

DIÁLOGO VIRTUAL






Yedra
O que é ser místico? Parte inferior do formulário

Cerberus
Bem, no meu entender é buscar respostas fantasiosas para o que nos escapa a compreensão. Ou seja, inventar respostas através de seres, entidades mágicas, poderosas, ou mesmo se valer de teorias improváveis e/ou sem fundamentação no real.

Yedra
Então podemos encaixar alguns filósofos nesta definição? Heráclito era místico?Parte inferior do formulário

Cerberus
Não há como negar que todos os filósofos gregos, apesar de tentarem buscar respostas racionais para explicar o mundo , a natureza e o homem, estavam presos as suas crenças. De uma forma ou de outra eles eram místicos. No entanto é esse movimento de libertação do mito, que diferencia os gregos antigos. No caso de Heráclito, eu diria, que ele estava num estado avançado de libertação do mito, tendo como referência os seus contemporâneos.

Yedra
Sendo que não há muitas maneiras, ou talvez até mesmo nenhuma, de dizer o indizível, podemos dizer que poetas, místicos e amantes usem uma linguagem muito parecida?

Cerberus
Sem dúvida! Não podemos nos furtar da tentativa de explicar. Mas, poetas, amantes e artistas, buscam, contrariamente ao místico, dar conta desse indizível metaforicamente, consciente de sua impossibilidade e irrealidade. O místico não, dogmatiza, realiza a fantasia, concretiza, materializa essa fantasia, e acredita nela como realidade mesma.

Yedra
Mas até que ponto isto faz parte da nossa estrutura mental de buscar pelas causas e explicações?

Cerberus
Tenho comigo que é essa característica o que nos faz racionais. Essa capacidade e necessidade de conhecer, saber por que, como, é a razão em si mesma, sua "essência", sua estrutura mesma.

Yedra
Por que uma forma de conhecimento deveria ser condenada pela forma oposta, com que legitimidade?

Cerberus
Não é uma forma de conhecimento, a meu ver. Veja, por conhecimento eu entendo tudo aquilo que pode ser conhecido por todos os homens e não "revelado" a poucos e nem muito menos dependente de um ente invisível. Por isso separo conhecimento de fé e de arte. Alguns pensadores e estudiosos, colocam fé e arte como conhecimentos e o dividem em três os tipos de conhecimento: Religioso, artístico e racional.

Eu não. Penso a divisão da percepção humana em: conhecimento, fé e arte. Sendo que os dois últimos não se propõem a universalidade e portanto são de cunho particular, acidental. Conhecimento mesmo só aquele que posso comunicar a todos e todos podem acessar universalmente.

Yedra
Somente a Razão pode nos dar acesso às compreensões aproximadas da realidade? Parte inferior do formulário

Cerberus 
Não, mas apenas o conhecimento pode nos fazer compartilhar tais compreensões.

Yedra
Pois eu não considero legítima esta pretensão "iluminista" de conferir somente à Razão o poder de dar a última palavra em matéria de conhecimento, desmerecendo as outras modalidades, que também correspondem a uma tentativa válida de dar sentido à realidade. Dada à diversidade humana bem como a necessidade individual de cada qual particularizar sua visão de mundo, penso que pretender promover uniformizações cognitivas é arbitrário. O grande poder que foi posto no racionalismo estrito, não conseguiu fazer do mundo algo totalmente inteligível universalmente. E nem poderia. Não há como substituir tradições, costumes e crenças de forma pretensiosamente dogmatizante.Parte inferior do formulário

Cerberus 
Mas, é unicamente pelo conhecimento racional que podemos universalizar e compartilhar uma realidade empírica, material.

Não é uma questão de subordinar a arte e a fé à razão, mas de deixá-las no seu devido lugar, que é  a particularidade. Não podemos tornar uma crença, uma particularidade cultural em conhecimento universal, podemos sim, aceitar como isso que é: particular, pessoal, cultural.

Se formos tomar como conhecimento a fé é necessário particularizar o mundo e fragmentar a humanidade, e assim, viabilizar o relativismo, aceitando que cada religião, cultura, crença pode agir conforme seus valores, em detrimento do homem, da humanidade.

Você concorda que assim seja? Eu não...!

2 comentários:

Eclipse Mental disse...

ùltima pergunta: por que a palavra final tem que ser sempre de um certo gafanhoto?

Manoel Noueira disse...

Mania de Platão..rsrsrs!!!