quinta-feira, 7 de novembro de 2013

REPOSTA A UMA CRÍTICA FEITA NA INTERNET AO PROCESSO DE VOTAÇÃO ELETRÔNICA E SUA MANIPULAÇÃO PELO GOVERNO PARA SE MANTER NO PODER.



        A grande maioria do povo brasileiro não é esse mar de alienação que pressupõem os intelectuais. Evidente que existe uma enorme dose de alienação e manipulação por parte dos detentores do poder, porém, não é isso que está segurando o PT no poder, muito pelo contrário, é a falta de opções que perpetua o poder. Ou seja, não aparecem alternativas melhores ao que está aí colocado. O PSDB insiste em querer fazer comparações com si mesmo, esquecendo que foi esse "si mesmo" que o povo rejeitou. O PMDB, que poderia ser uma oposição forte insiste em ser o eterno coadjuvante de todos os governos... Já os demais partidos, são expressivamente frágeis para se lançar em uma oposição franca e destemida. Resta ao povo, sem nenhuma opção, sem nenhuma alternativa, ficar com o que menos lhe prejudica, ou seja, o PT.

     A minha preocupação não é com a urna e sim com essas pessoas supostamente competentes e honestas, isentas de alienação e altamente politizadas, que lançam críticas fundamentadas em falácias escandalosas... Essas sim são perigosamente manipuláveis!! 

        O processo eleitoral no Brasil, não é muito diferente de outros países democráticos. A diferença está no processo que é totalmente digital. Mas, seja a urna eletrônica ou o voto manual, se houver pessoas desonestas no interior do processo, haverá sempre o risco de fraude. Diante dessa possibilidade, opto pela urna eletrônica. Ela é mais eficiente na contagem e apuração, reduzindo sensivelmente o tempo de apuração e englobando um número infinitamente inferior de pessoas que fazem parte do processo apurador, consequentemente diminuindo a possibilidade de fraude e aumentando a capacidade de efetiva fiscalização.

    A lógica apresentada para criticar a urna eletrônica é contraditória e revela a pura retorica dos discursos. Já a solução apresentada para evitar fraudes beira as raias do ridículo, visto que se baseia em eliminar o voto e em seu lugar organizar concursos públicos para cargos públicos hoje eletivos. Como, pois, se não confiam nos processos eletivos que usam um sistema moderno e comprovadamente eficaz, como podem colocar suas esperanças em um concurso publico que será organizado e processado pelos mesmos mecanismos do poder vigente e os quais elaboram o mesmo processo eleitoral?

      Outrossim, instigam e conclamam as pessoas a se engajarem, via internet, redes sociais nesse projeto ( concurso publico para cargos eletivos)... Novamente aparece a contradição: a internet é um processo digital com as mesmas possibilidades e sujeito as mesmas manipulações das urnas que captam os votos pelo país...

      E, por fim, a mais falaciosa das falácias, de proporções abissais: Impressão de voto!!! 

Não sei como é que essas pessoas elaboram seus pensamentos e chegam a essas conclusões absurdas! Imaginem só! imprimir o voto é simplesmente eliminar o caráter secreto do voto, que é a base fundamental de uma eleição livre e democrática.

     Além do que, possibilitaria o velho e já decantado voto de cabresto, principalmente nas regiões norte e nordeste. Abriria as portas para a efetiva venda do voto, visto que, com a impressão do voto, o político comprador do voto, exigiria o "recibo" e o eleitor, tendo este impresso, poderia negociar melhor, conseguir um preço mais “justo” nesse mercado...

      Se algum de vocês compartilha dessa ideia “sensacional”, eu sugiro que você se enfileire nas colunas do PMDB e se candidate a uma cadeira nas casas legislativas, certamente você fará uma bela carreira e logo se acomodará em uma confortável cadeira em um órgão qualquer do governo, pois, talento para o discurso vazio e a promessa vã, não lhe falta.

Manoel N Silva

terça-feira, 5 de novembro de 2013

SOBRE ENEM E FILOSOFIA...


Muito me alegra ver uma prova de ciências humanas em que os enunciados, numa significativa quantidade, estão embasados no pensamento filosófico (Marx, Kant, Montesquieu, Bentham, Descartes, Maquiavel, Aristóteles, além de referências a teorias da administração como Fordismo, Taylorismo e Toyotismo) tirinhas e questões éticas e religiosas que foram e são alvo da reflexão filosófica e sociológica.
Outro aspecto que muito me agradou foi o da diversidade de assuntos, saindo daquela mesmice de política e ética (grega clássica) tradicionais e se aventurando pelo pensamento mais aberto, pragmático e liberal (Bentham, Fordismo, Toyotismo). O trabalho já não é enfocado apenas naquela visão marxista da mais valia pura e simplesmente, já se discutem outras visões...
Enfim, me parece ser ponto indiscutível que a filosofia e a sociologia, retomam seus espaços rapidamente, o que era esperado, dada a natureza questionadora dessas disciplinas e seus enfoques críticos que estimulam o desvelamento da realidade e denunciam as manipulações e imposições dos sistemas e ideologias vigentes.
No entanto, é muito desestimulante ver que no sistema de educação publica, principalmente no EM, a aprendizagem e o ensino, na sua prática diária, não acompanharam a velocidade desta retomada que acontece em âmbito geral, na sociedade.
Ficou claro, pelo menos na minha visão, que os conhecimentos cobrados nessa prova do ENEM, apesar de serem perfeitamente adequados e ideais ao nível de ensino ao qual se pretende avaliar, não correspondem ao nível em que o atual sistema de educação pode oferecer aos seus alunos, tanto do ponto de vista qualitativo, quanto do ponto de vista quantitativo.
Do ponto de vista qualitativo, o ponto fundamental é, no meu entender, que professores de filosofia e sociologia sejam realmente qualificados nesta área, ou seja, que não se improvisem professores de outras áreas, cujas práticas e abordagens são diferentes e desvirtuam o aprendizado e o ensino dessas disciplinas. Do ponto de vista quantitativo, fica claro que, dado o volume de questões sempre crescente, em todos os exames oficiais e concursos, no âmbito da filosofia e da sociologia, a atual quantidade de aulas: (1) uma aula semanal, é insuficiente para uma abordagem de conteúdos que atenda a demanda.
Não fosse tudo isso, ainda temos um descaso flagrante das autoridades, haja vista as quantidades ridículas das vagas oferecidas para professores de filosofia e sociologia, neste concurso público estadual, em curso.


Manoel N Silva

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

QUE OPOSIÇÃO?


Uma frase que reflete bem o "pensamento" fisiologista da suposta oposição brasileira é esta que li em num post desses tantos que aparecem por aqui: "NÓS da oposição, que QUEREMOS o PT fora...”.
É fácil identificar ai que essa "oposição" não pensa em termos de Brasil e sim de partido, de pessoas e de grupos. É por essas e outras que a grande maioria da população prefere os desmandos do PT ao fisiologismo e corporativismo da "oposição". Pelo menos, nos desmandos do PT, o verbo é conjugado na terceira pessoa do singular, e o sujeito da frase é o povo e não o PT.
Evidentemente que me oponho à estrutura de governo existente. Estrutura essa que possibilita ações desastrosas e corporativistas. Também me oponho aos meios usados pelo Governo em questão. Porém, não há no horizonte político brasileiro, qualquer alternativa melhor que a que aí está. E, se não houver reformas políticas, que mudem as estruturas eleitorais e fortaleçam o desenvolvimento de partidos políticos fortes e ideologicamente definidos, capazes de construírem propostas consistentes e claramente definidas, o povo brasileiro vai preferir o "menos ruim" e o mais popular.
O comportamento desta "oposição" revela claramente a visão parcial, o desespero da incompetência política. O que ressalta a falta de objetividade e propostas consistentes capazes de enfrentar a consistência, embora muito aquém do possível e mais longe ainda do desejado, dos discursos, ações e propostas desse governo que aí está. No dia que a oposição tiver a consciência de que seu único adversário é ela mesma e o seu corporativismo e fisiologismo, poderá talvez, se em seus quadros ainda sobrarem políticos decentes e competentes, forjar um discurso capaz de convencer o povo brasileiro. Por enquanto, esse discurso é mero foguetório, infelizmente!
Talvez todos os partidos sejam fisiologistas e corporativistas. Mas, no momento em que isso é devidamente incorporado ao discurso, fica difícil qualquer promessa ou esperança de mudança. Política é 90% discurso e 10% ação. É preciso que se articule um discurso capaz de convencer o povo de que esses 10% podem e devem efetivamente ser de interesse dele e não simplesmente do partido.
O grande problema da oposição é que ela não tem um discurso capaz de criar no povo a devida confiança em suas ações. Certamente que no Brasil é pleonasmo. Mas, a política, pensada e exercida conforme seus fins teóricos, não é fisiológica.
Certamente que a política atende a fins particulares e nem poderia ser diferente, porém a totalidade de suas ações deve ser sempre em direção ao todo de uma sociedade, só assim esses fins particulares podem ser alcançados sem prejuízos dos fins coletivos.
O que chamo de fisiologismo e corporativismo não é a busca e a satisfação desses fins pessoais e corporativos e, sim o sacrifício dos fins coletivos em favor desses individuais.
O mecanismo de sedução da oposição é totalmente deficiente. Mas não é só isso, ela não tem uma proposta coletiva, não apresenta solução para o todo da sociedade, seu discurso, embora voltado para isso, revela apenas a prática corporativa. Não é que os Partidos devam enganar com seus discursos, muito pelo contrário, é que eles precisam espelhar a seriedade de seus fins.
E, nesse caso, a oposição não espelha, porque não os tem e ainda por cima revela flagrantemente a sua postura fisiologista. Em contra partida, o Governo, além de ter um discurso coletivo, que convence, as suas ações, embora precárias, reforçam esse discurso e mantém a confiança do povo. Com isso, o povo, embora lendo nas entrelinhas das ações os fins fisiologistas e corporativistas, prefere o que está colocado, diante do discurso vazio e desprovido de ações e confiança da oposição.


Manoel N Silva.

A IDEIA DE HOMEM











"As ideologias são inegavelmente fruto de condições históricas, sociais, econômicas, etc. As ideias não conduzem o mundo; muitas vezes, porém, elas o fazem girar num ou noutro sentido. Pois elas se justificam, se fazem aceitar e, por conseguinte, compartilhar, por meio de outras ideias, entre as quais a ideia do homem é uma das mais poderosas." Francis Wolff

A ideia do homem é nova. A ideia de "cidadão" ou como disse Aristóteles, "zoon politikón" é, no meu entender, muito mais poderosa! Essa ideia de homem, adubada no medievo e nascida na modernidade, exclui o mundo e o outro, diferentemente da ideia de cidadão que interlaça e interliga o homem ao seu meio, tornando-o parte de um processo coletivo de existência.
Mas, concordo plenamente com a mudança de configuração, e por isso mesmo, discordo do poder dessa nova ideia. Ela ainda engatinha e se debate nas malhas do determinismo medieval e está à mercê das correntes do positivismo moderno.
A ideia de homem é ainda um mero rascunho, carece ainda de traços fortes e cores mais nítidas para se fazer valer e superar as dicotomias. Ainda penso que chegaremos a uma versão da ideia de homem que possa inserir o outro e o mundo, sem determinar o eu, rejeitando assim, a pretensão cartesiana: o homem (eu pensante) como principio e fim... E nessa pretensão o homem, como ideia, perde força e se perde na alteridade e no mundo.
O homem na concepção essencialista é determinado. Por isso nos atrai. A segurança da essência nos conforta e nos da um sentido. O homem moderno é órfão, como diria Pascal, está abandonado. Já na concepção existencialista estamos "condenados a ser livres", indeterminados, sem sentido. Absurdamente livres!
Mas, indeterminação e liberdade não são sinônimas. Liberdade não significa necessariamente indeterminação. Somos determinados, na medida de nossa condição orgânica e biológica, química... Isso não significa que não somos livres. Liberdade é, no meu entender, a possibilidade dela mesma e não ela em si mesma. Assim posso ser determinado a viver, mas escolho viver ou não...
Mas, penso que Sartre seja muito radical na sua concepção de indeterminação, materialista demais para a condição humana. Tendo mais para a concepção Camusiana do que para Sartre...Não somos determinados intelectualmente, mas fazemos parte do universo, não estamos aqui alheios ao mundo e a tudo. Não há um criador, mas somos criação.
Desde Kierkegaard, Heidegger, Dostoievski, Nietzsche...o homem e suas angustias, desesperos, absurdos e a incompreensível liberdade! O pior é que não há um "não ser"... Essa é a determinação que gera a absurdez da existência humana.
Costumo dizer que o homem (enquanto ser racional) é uma criança, está no máximo, na pré-adolescência da razão. Quero crer que amadureceremos como seres que pensam e chegaremos a nos compreender e compreender o que é ser humano!


Manoel N Silva

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

RESPOSTA A PERGUNTA: "Estará a inteligência média das nações ocidentais a baixar porque as pessoas menos inteligentes estão tendo mais filhos do que as mais inteligentes?" STEVEN PINKER


Bom! eu não diria que isso tem algo a ver com genes, mas que certamente Pinker está certo, isso está! Ele, a meu ver, só não oferece a tese correta, as justificativas e os argumentos que corroborariam uma conclusão e uma resposta afirmativa a esta indagação, ou seja, se a contrapartida a sua tese é que o meio, as condições sociais, econômicas e políticas, a educação, são as causas de uma maior ou menor capacidade de raciocínio, fica evidente que se pessoas que não tem acesso as ferramentas adequadas para desenvolver essas habilidades intelectuais se reproduzem em numero sempre crescente em relação aos que tem acesso a essas ferramentas, haverá sim, um decréscimo nessas habilidades no computo geral. Assim concluo que se por inteligência entendemos que seja o desenvolvimento da capacidade de raciocínio e a compreensão mais ampla do mundo e das coisas, certamente o fator de crescimento da população que é privada de tal desenvolvimento e a diminuição da que tem esse acesso, justifica e responde afirmativamente a pergunta formulada: Sim, a inteligência média tende a baixar!!!
E, antes que surjam polêmicas a respeito do que seria a inteligência média de uma nação ou de um povo, digo que aqui me refiro àquela capacidade objetiva que se faz presente e atuante no real, ou seja, o avanço tecnológico, científico, cultural e intelectual, na medicina, engenharia, enfim, em todas as áreas de possibilidade conhecimento humano e não aquela capacidade potencial que todo ser humano possui naturalmente, geneticamente, biologicamente. Nesse ponto discordo de qualquer teoria que coloca fatores genéticos e biológicos como determinantes de uma maior ou menor capacidade de desenvolvimento intelectual.
A não ser, claro, quando existem fatores patológicos, deficiências genéticas, ou seja má formação de órgãos e tecidos, células que interfiram fisicamente nestas capacidades potenciais de desenvolvimento intelectual. Comungo com a convicção de que o ser humano é potencialmente igual e que ele nasce em igualdade de condições, quanto ao seu aparato genético e biológico.
As coisas não vivem de si mesmas, elas estão sujeitas ao entorno e, é esse entorno, na minha concepção que torna o desenvolvimento dessa capacidade intelectual possível ou não. Fatores genéticos também podem ser influenciados pelo meio, ou seja, se uma mãe vive em um ambiente degradante da sua constituição física, evidente que a geração de um feto por essa mulher, envolve riscos reais a integridade física e biológica dessa criança e pode sim vir a nascer com deficiências, tanto no seu aparelho motor, quanto no seu aparelho cognitivo.
Quanto aos genes, eles apenas conferem as informações necessárias ao desenvolvimento do ser humano, eles não definem o grau de desenvolvimento, eles são como o manual de instrução do ser humano para que ele se desenvolva, porém se não houver no meio as ferramentas necessárias para esse desenvolvimento, os genes não servem para nada, a não ser passar as características físicas dos seus antepassados, cor dos olhos, cabelos, pele, etc...
 Para constatar tal afirmação, basta que levemos em conta as ferramentas disponíveis hoje e as da época de Aristóteles, por exemplo, e todas as dificuldades existentes em épocas mais remotas. Se levarmos isto em consideração veremos que uma "média" de inteligência, hoje se torna muito aquém da média na idade média, apesar de hoje uma criança de oito anos ter acesso a todo o conhecimento humano, ela não consegue desenvolver habilidades tão eficientes quanto os poucos gregos, por exemplo, da época clássica. Mas isso não é tão simples, seria preciso que nós discorrêssemos páginas e páginas de reflexões, comparações e medições, coisa que é impossível aqui, mas, sabendo da capacidade de compreensão de V.Sas. resumo minhas convicções nestes termos gerais e superficiais, certo de que compreenderão minha posição. Mas, não é nada científico ou apoiado em pesquisas rigorosas, é antes uma analise pessoal sobre a história e a historia do conhecimento humano ocidental.
Se é fato ou não, nada mais fácil do que se debruçar sobre a história e fazer as devidas comparações, assim poderemos comparar. Eu, particularmente, estou satisfeito com minhas observações pessoais e minhas análises. Encontro fortes indícios de que a média geral, o conjunto da humanidade, sofreu decréscimo em seu desenvolvimento intelectual.
Meus caros, vamos então reduzir ainda mais para ver se entendemos: Temos cada vez mais especialistas e cada vez menos "clínicos gerais"...portanto, apesar da moderna e avançada tecnologia, da medicina avançada e de todo o conhecimento humano acumulado, o ser humano, na sua individualidade e consequentemente na sua totalidade diminuiu as suas possibilidades de conhecimento. Ou seja, no tempo de Aristóteles, eram facilmente encontrados, numa única "sala", vários gênios, capazes de discutir inúmeros assuntos, de dominar com desenvoltura diversos conhecimentos em diversas áreas... Hoje se colocarmos dez engenheiros em uma sala e pedirmos que eles se unam e façam um projeto de um edifício de dez andares, possivelmente não conseguiremos que eles , juntos, deem conta sequer de projetar uma casa simples quarto e sala, cozinha e banheiro, dado o grau de especialização, ou como diria um já falecido professor de "emburralização", viseira tecnológica...
Bom quanto aos gritos e protestos no que se refere a quantificação da inteligência humana,  só tenho a dizer, que não conheço nenhum concurso que não leve em consideração essa medida para "qualificar" satisfatoriamente os concorrentes... sem falar no ENEM, ENAD, Provinha Brasil, Vestibular, Teste de aptidão, Carteira de motorista, enfim....sei lá onde conseguimos alguma coisa se não for passando por uma peneira quantitativa que mede nossas habilidade intelectuais, muito antes das capacidades e habilidades funcionais... mas, falando sério, sabemos que são poucos os que conseguem habilidades para usarem as ferramentas do intelecto e buscarem descortinar a realidade.
O que eu quis dizer é que há uma superficialidade de conhecimentos, por exemplo, um doutor em filosofia hoje, na maioria das vezes, conhece razoavelmente o pensamento de dois ou três filósofos e se especializa em um e desse um ele se fixa uma linha de pesquisa ainda mais especifica como, por exemplo, a questão da liberdade em fulano, o pensamento do jovem sicrano..etc... Não há como negar que houve um enorme acúmulo de conhecimentos humanos, e eles estão disponíveis, no entanto o ser humano de hoje, dada a dinâmica da vida moderna, a falta de tempo, a impossibilidade concreta da reflexão, a facilidade do "self service" e do "one way", cada vez mais o homem, o ser humano, na sua maioria, vive mais superficialmente, sem a necessidade de desenvolver um senso crítico, uma capacidade reflexiva, indagadora, curiosa mesmo e, é nesse sentido, que respondo afirmativamente a essa questão do Pinker, não é uma argumentação solida e indiscutível que ofereço, pois se assim fosse não possibilitaria a discussão, o que ofereço é uma visão, um ponto de observação da realidade, ou seja, lhes ofereço o meu ângulo de visão sobre isso e não uma certeza absoluta, uma tese pronta, fechada e embrulhada, bem ao gosto moderno...Muito pelo contrário, o que lhes ofereço é uma tese em busca de uma antítese e quem sabe resulte numa síntese, mas não necessariamente!
Eu em nenhum momento afirmei que a capacidade potencial humana de conhecer, ou seja, a inteligência do ser humano tenha diminuído, o que diminuiu foi exatamente o uso dela e com isso faz cair a média de desenvolvimento dessa potencialidade, afinal como colocou alguém aí, o cérebro humano, a "máquina" biológica que proporciona o desenvolvimento intelectual é a mesma há mais de 10 mil anos.
O que eu vejo é que há uma reação imediata, sem nenhuma reflexão mais profunda quando alguém faz uma afirmação sobre algo, (o que confirma minha tese..rsrsr) , como se a pessoa tivesse dito uma blasfêmia, um absurdo sem nenhuma lógica...as pessoas estão preguiçosas de raciocinar, de buscar digerir o que se ouve e o que se lê e vê. Eu frisei muito bem que a capacidade intelectual potencial do ser humano é a mesma para todos, todos são capazes de atingir o pleno desenvolvimento de suas capacidades.
O que acontece hoje, devido a zil fatores e entre eles o aumento da massa trabalhadora e da diminuição de acesso dos meios que esses trabalhadores podem fornecer a seus filhos para que eles possam desenvolver suas potencialidades, o maior controle de natalidade existente entre os mais ricos e, portanto, a diminuição da classe mais capaz de proporcionar aos seus filhos o pleno desenvolvimento de suas potencialidades intelectuais, eu respondi afirmativamente a pergunta colocada e, reitero esta minha posição reformulando os termos para que possa talvez ser melhor compreendido, mas sem mudar o sentido:
O desenvolvimento intelectual médio das nações ocidentais diminuiu em virtude de uma maior natalidade entre os mais pobres, pois seus filhos não tem acesso aos meios e as ferramentas necessárias para um desenvolvimento intelectual pleno e, aliado a isso, uma queda da natalidade entre aqueles de classe mais ricas, capazes de proporcionarem a sua prole todos os meios necessários ao desenvolvimento de suas potencialidades intelectuais.
Mas, entendamos bem, não é só isso. Esses dois fatores são dos mais relevantes, porém existem outros tantos que aliados a esses dois fazem diminuir mais ainda o desenvolvimento intelectual da maioria. Pobreza, falta de educação de qualidade, educação dirigida para o mercado de trabalho, formação puramente tecnológica, especialização exagerada, facilidade de informação pronta, máquinas de calcular, computadores, programas de cálculos os mais variados, etc e tal.
Não que eu seja contra isso, absolutamente, porém uma criança de classe operária que não pode e nem tem tempo suficiente para desfrutar de tais ferramentas para seu desenvolvimento intelectual, passará a usá-las apenas superficialmente sem na realidade conhecê-las e empregá-las para simples funcionalidade.
E que fique bem claro que aqui não há nenhum fator genético, a não ser a fatalidade de que a maioria nasce em um meio em que ele não disporá de ferramentas para seu pleno desenvolvimento.
Em defesa da minha visão, só posso dar como exemplo concreto, real e provável, o que a experiência de qualquer um que se disponha a observar mais atentamente ao seu redor, vai comprovar. Ou seja, é visível a olho nú e sem maiores artefatos ou ferramentas estatísticas, a falta de conhecimentos gerais, e das habilidades de manipular informações e delas concluir outras, mal que assola a nossa sociedade, onde uma educação voltada apenas para a funcionalidade, parece atrofiar capacidades, que em épocas não muito remotas, eram incentivadas desde a tenra idade, quando da necessidade pura e simples de brincar, pois que até os brinquedos mais simples, a cerca de 30, 40 anos atrás, exigiam uma maior atividade cognitiva, enquanto que hoje os brinquedos só estimulam a contemplação pura, sem nenhum exercício mental de compreensão ou reflexão. Por isso só tenho a lhes oferecer minha vivência pessoal e minhas observações tiradas, principalmente do contato com alunos de ensino fundamental e médio, mas, também de uma parcela menor de alunos do ensino superior, e de professores que formam minha clientela. Fora isso, que para minha convicção pessoal é mais do que suficiente, aconselho, aos que discordam desta teoria, que em vez de se preocupar tanto com os índices e as medidas usadas, passem a sentir empiricamente os efeitos no dia-a-dia. Afinal, dados são facilmente manipulados, direcionados, distorcidos nas mãos de seus utilizadores. Enquanto que a realidade da experiência, a sensação vivida e experienciada são impossíveis de negação.
Essa minha visão, não é um preconceito ou uma deferência à classe mais pobre, cujo desenvolvimento intelectual está atrelado a sua condição e isso não é de forma alguma depreciativo, visto que não é sua culpa ou de sua escolha tal situação. Ao contrário, a minha concordância com o resultado e não com a causa, (já que na minha visão a causa é puramente contingente) é um alerta, uma crítica a esse modo de vida ocidental que cada vez mais embrutece e escraviza a maioria da humanidade, tornando-a serva de uma minoria estupidamente poderosa e que domina todas as ferramentas de crescimento e desenvolvimento do ser humano.
Por isso frisei no começo que é uma visão pessoal, e que diante da minha própria experiência e dos dados colhidos por meus sentidos e trabalhados pelo meu aparelho cognitivo, sou obrigado a concordar que há uma diminuição na média de inteligência do ser humano, pelo menos naquela parcela que me foi possível observar e experimentar o seu desenvolvimento, ou seja, na minha existência, esse meio século em que vivi, e que foi um período realmente rico em efervescência intelectual e tecnológica, porém, visivelmente decadente, no que diz respeito ao desenvolvimento qualitativo da inteligência de maneira geral.
Quanto a Platão e Aristóteles, eles tinham meios e tempo, suficientes para se dedicarem completamente aos seus estudos e desenvolvimento de suas ideias. É essa a diferença que me faz crer que lá havia mais desenvolvimento intelectual, ou seja, mais possibilidade e mais desafios, mesmo que sem as ferramentas que hoje temos, e talvez por isso mesmo!

Manoel N da Silva