quinta-feira, 16 de maio de 2019

A DEFINITIVA DESTRUIÇÃO DO MITO



Hoje, direto do Texas, o Presidente Jair Bolsonaro, definitivamente enterra sua reputação e se desfaz diante da grande maioria do povo brasileiro, ao chamar os  estudantes  universitários, secundários, professores e profissionais da educação, que foram as ruas em  todo Brasil, protestar contra os cortes na educação, de “idiotas úteis e dizer que 70% deles não sabem sequer a fórmula da água e servem de massa de manobra para uma minoria imbecil”.

Talvez pareça, para alguns, que seja irrelevante tal declaração, e até seria, concordo eu, se fosse dita por um dos deslumbrados parlamentares eleitos nessa onda pirotécnica proporcionada pela campanha bolsonarista e seus arroubos “mitológicos”, regada a fake news, memes e preconceitos, se fosse um twiter de seus tresloucados filhos ou uma declaração do seu ignóbil guru. Mas não. Essa declaração é fruto do presidente da nação brasileira, pronunciada diante do mundo.

Não é possível que o presidente de uma nação fale tamanha bobagem quando, ao contrário, o mesmo deveria prezar e elevar o respeito aos nossos estudantes, porque seguramente, serão eles a única garantia de um futuro decente, de um país tecnologicamente evoluído e autônomo, capaz de suprir suas demandas nas áreas de comunicação, robótica, medicina e farmacêutica, já que são estes estudantes que foram hoje as ruas, na sua maioria, os grandes responsáveis por pesquisas nessas áreas e em todas as outras, pesquisas como a da pele de tilápia que surge como  uma revolução no tratamento das queimaduras, desenvolvida na UFC e tantas outras nas mais de setenta universidades federais, visto que são nas universidades públicas federais que se desenvolvem a maioria das pesquisas no nosso país.

Portanto, senhores, Bolsonaro derrete, se liquefaz diante dos olhos dos brasileiros e do mundo, enquanto politico e cai por terra qualquer esperança de uma postura de estadista diante dos problemas graves e da perspectiva caótica da nossa economia. Infelizmente, para o povo brasileiro, a inabilidade política desse governo, sua incapacidade de lidar com os diversos, os contraditórios, poderá nos levar, a curtíssimo prazo, a um novo processo de impedimento de um Presidente da República.

Manoel N Silva.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

CRÔNICA DE UM (DES)GOVERNO




Hoje, acometido de uma gripe forte, impossibilitado de ir leciona, sento-me à frente do computador e busco articular uma analise positiva da atual conjuntura brasileira, penso, repenso leio as noticias e me debruço  sobre as ações, as repercussões e as reações nacionais e internacionais, nas áreas politicas e econômicas, nas relações de trabalho e no âmbito do social. Tento vislumbrar uma luz, um fio condutor que nos aponte uma saída para a segurança, por exemplo.  Tem o tal pacote anticrime que se coloca como solução contra a violência e a impunidade. Que promete acabar com a criminalidade, mas que na realidade, analisando friamente, a luz da realidade e não sob as  lanternas ideológicas e corporativas, encontramos apenas uma tentativa de aumentar o poder dos juízes e legalizar a violência policial. Tais medidas, isoladas e sem articulação com as áreas de educação, saúde e acadêmica e sem politicas de criação de emprego e distribuição de renda, seriam, na melhor das hipóteses nulas e, na pior, aumentariam a violência policial e numero de mortes de policiais, como já nos mostram índices de criminalidade divulgados nesses três meses de governo Bolsonaro.
Se, a menina dos olhos da campanha de Bolsonaro, a bandeira que o elegeu e a centenas de políticos e alguns governadores, não decola, o que seria então que sustentará seu governo?
Na área de educação é uma sucessão de bobagens, atitudes e ações descoordenadas e descabidas, meras retaliações politicas e ideológicas, sem nenhum impacto positivo, já tivemos dois ministros e dezenas de exonerações no  inep e mec. Cortes nas verbas para as universidades na monta de 30%, o que significa uma precarização do ensino superior e certamente uma redução significativa nas pesquisas cientificas, tão caras para a independência tecnológica da nação. Promete-se ainda, corte na área de pós-graduação, que teria como resultado, uma queda no nível científico e tecnológico, a médio e longo prazo.
Já no ambiente rural, o desencontro não é menor. Mais medidas pirotécnicas, destituídas de valor real, promessas absurdas e fantasiosas, que comprometem até mesmo a integridade dos envolvidos, como é o caso da legitima defesa do patrimônio, onde o dono de terras teria o direito de atirar em quem invadisse suas terras, colocando a propriedade acima da vida humana. Sem contar com as demissões por ideologia politica e as nomeações sem critério técnico, baseados apenas em posições politico ideológicas.
A questão dos direitos humanos e da mulher está sob as ordens de uma demente, fanática religiosa que defende a sujeição da mulher de acordo com os ideários do patriarcado cristão, ignorando os índices alarmantemente crescentes de feminícidios no nosso país.  Além da decisão completamente absurda de colocar a FUNAI nas mãos de Damares Alves, que como disse antes, comunga fanaticamente com os ideários cristãos, que pregam a conversão e a suposta civilização dos indígenas, em detrimento de suas crenças e costumes. Enfim, o que pode sair de positivo dessa pasta se  coloca-se um titular que se fundamenta em ideais que vão de encontro com os interesses dos que dela dependem, em termos de politicas públicas?
Mas, continuemos nossa jornada em busca de positividade neste (des)governo. E a tão propalada reforma da previdência? O governo, em geral, parece colocar todas as suas expectativas nessa tal reforma. Paulo Guedes, seu idealizador, demonstra não ter o conhecimento, a confiança e a segurança argumentativa para convencer o parlamento e o povo de que essa é a solução para os problemas do Brasil. Não entrarei em detalhes, visto que certamente, esse projeto, como está não chegaria a ser votado. Certamente muitas modificações acontecerão até que venha a ser votada em plenário e encaminhada ao Senado, onde certamente gerará emendas e se aprovadas, atrasarão a entrada em vigor, já que deverá voltar a câmara para ser novamente discutida e votada. Mas, o que importa é que, se esse governo não conseguir mostrar ao que veio essa reforma, como todas as outras que já foram enviadas ao congresso, sairá capenga e sem efeito real.
No meio disso tudo, o  judiciário se cala e sofre as consequências de suas atitudes anteriores, despidas de imparcialidade, e que provocaram a desconfiança da população, que já não se sente segura da capacidade do STF, como supremo  guardião da Constituição Federal e do Estado de Direito.
A politica externa é comandada por um tresloucado que não acredita na globalização, adora Tramp e odeia o marxismo, e mete os pés pelas mãos no trato com parceiros comerciais significativos como China e o mundo árabe.
O presidente e seus filhos se comportam como adolescentes mimados e diariamente provocam o riso e  a galhofa daqueles que navegam pelas redes sociais. Dia após dia protagonizam vexames e se expõem ao ridículo com afirmações e publicações das mais absurdas e vexatórias. Publicam vídeos com teor pornográfico, fazem alusão a turismo sexual, acusações puramente ideológicas, enfim, essas coisas sem nexo que adolescente e pré-adolescente fazem nas redes sociais.
Além disso tudo, existem as coisas sérias, a proximidade da família Bolsonaro com as milícias, a questão do Queiroz e os funcionários fantasmas, o laranjal do PSL, a falta de articulação e até  limitação da oralidade do presidente, não transmite confiança, segurança nos seus discursos, parece mais um estudante apresentando um seminário, inseguro, gaguejante, soletrante, claramente decorado, sem nenhum conhecimento profundo do que diz. E a as declarações impensadas, que provocam o vai-e-vem do mercado financeiro?
Para fechar tudo isso, ao buscarmos as fundamentações ideológicas e as referencias intelectuais da maioria desses citados, inclusive o chefe supremo da nação e nos deparamos com uma figura patética, do ponto de vista acadêmico e cientifico, um astrólogo, que contesta Einstein e a maioria dos pensadores e cientistas renomados e respaldados na comunidade cientifica mundial, que não concluiu sequer uma faculdade. Acredita em teorias conspiratórias e auto se denomina professor de filosofia, mora no exterior e se diz o maior pensador do Brasil. um senhor chamado Olavo de Carvalho. Além dessa referencia, o Presidente é fã de conhecidos ditadores e em especial de um torturador brasileiro acusado por suas vitimas de atrocidades sem igual, principalmente contra mulheres, chegando a introduzir ratos em suas vaginas e deixar crianças assistirem sessões de torturas de seus pais.
Pelo andar da carruagem acredito que, se eu continuar esta análise terminarei por escrever um ensaio intitulado “como não governar uma nação”. Como não é isso que pretendo, encerro essa minha tentativa frustrado e deveras preocupado com o futuro desse meu pais, já tão maltratado, pisoteado e usado ao longo dos séculos, por exploradores, príncipes, reis, imperadores, militares e demagogos.

Manoel N Silva

sábado, 6 de abril de 2019

ESSENCIAL



Não sou, mas passei no tempo
Tive um ser  no mundo
Construí uma essência
Um ser para mim, um ser no mundo
Esse mundo que construí
 A partir dos meus desejos
E de meus anseios de mundo
Não existe enquanto realidade
Mas é a minha história real
Sou eu nos meus amores
E nos pormenores
Dos meus sentidos
É a minha vida
São meus desígnios
Embora meras possibilidades
São realidades escolhidas
Mesmo que meu desejo seja Maria
Meu filho se fez Antônio na minha escolha
Naquele dia que eu queria Francisca
Mas minha liberdade se fez Fernanda
E meu desejo de santa e amante
Se fez profana e mundana
Ama dos meus pecados
Na cama da minha vontade
E no lençol da amante
Que de rompante
 E de repente
Foi além da mulher
E muito mais além de mim.
Foi o ser sem ser em mim
Era a verdade de não ser apenas por ser
Foi escolher mais que o desejo
Era ir mais que querer
Era ser tão livre
Que não querer o querer
Era ser muito mais real
Do que não querer ser
Não ser e ser para amar.

Manoel N Silva.

NADA SER



Sonhar um ser completo
Sem caber mais nada
Ser somente ser
Uma completude acabada
Um ser em si
Que  nada precisa
E a nada deseja
Não enseja nada
Nem tampouco algo  produz
Já que nada lhe falta
E a nada se conduz
Mas, esse nada é
E somente é em função de ser
E por ser exige  o nada
Que exige uma construção
Porque nada precisa ser nada
Mas nada de qualquer coisa
E essa qualquer coisa é
O que lhe falta
O que deseja
Que seja sem ser
E não sendo, se faça ser
Porque ser em si
Sem nada a faltar
É um nada ser a buscar
Aquilo que não o completa
Mas mesmo assim está lá
É ser
Porque ser é não precisar
É não desejar
É já ser sem complementos,
Sem contingência, sem esperanças
É não sonhar, é não sofrer
É apenas está lá sem necessidades
Ser em si mesmo
Ou seja, sem exterioridade
Sem carências, sem humanidade
Sem essência
Esse ser assim sem fendas,
Sem poros, sem fluidez
É concretude abstrata, forma perfeita
Satisfeita, farta, completa, infinita, imóvel.
Por isso, existir é ser, e só, nada mais.
O Ser não trás devir, já que é plenitude
E tudo que é pleno
É pleno de tudo,
Não há nada que o perturbe
Por isso é absurda a existência
Inumana e sem sentido
Pois ser humano é não ser
É espera, é carência é desejo
É um ser que se fabrica, que se constrói
Um ser sem ser, apenas por ser
Para ser, buscar, caminhos, escolhas
Ser sem ser, ser nada para aparecer
Para si e para o mundo
Ser o não ser do ser para ser sem ser
Porque se sou apenas existo
E se não sou o que sou é liberdade
Não sendo me escolho ser
E mesmo que me escolha não ser
Serei a escolha de não ser
Assim sendo sem ser
Eu sou o nada do ser!

Manoel N Silva

sexta-feira, 22 de março de 2019

FATOS OU FITAS?



Meu problema não é a defesa de um governo, de um partido ou de uma pessoa. O meu grande problema nesse momento é encontrar uma informação, alguma pista, algum fio que me ligue ao real. Existe mesmo uma compreensão dos fatos? ou melhor, existem mesmo esses fatos?

Quaisquer que sejam os fatos, me parece que negam todas as afirmações filosóficas, linguísticas, gramaticais, semânticas, políticas, econômicas ou sociais já pensadas ou teorizadas sobre o povo, a massa, as classes, as pessoas, os indivíduos e os coletivos. Não há no campo da razão, qualquer indício de construção palpável de uma materialidade dos fatos.

E sim, estou questionando os fatos sim. Não são fatos que se apresentam espontâneos e nem são atuais, eles são construídos conceitualmente a partir de interpretações do passado. Eles não se mostram enquanto atos observáveis pela sociedade, eles são vistos através de lentes distintas, ângulos diversos.

Não tenho paixão envolvida. Tenho mesmo é apreensão, angústia, desinformação e factoides. Não há materialidade nesse cenário, ele é totalmente conceitual. O Brasil hoje vive uma realidade virtual. As pessoas não podem tirar suas próprias conclusões, analisar os fatos, eles não existem e, se existem não nos foram permitido o acesso a eles.

Muitos dirão que não se pode questionar fatos. Sim, também eu não questiono fatos. Desde que eu tenha acesso a eles. O problema atual é que os fatos que nos levaram a esse estado de coisas, nos foram dados em palcos iluminados, cheio de jogos de luzes e de sombras, em um cenário cuidadosamente preparado.

Não estou separando o real do virtual, mesmo porque um constrói o outro e vice-e-versa, O problema é que nessa construção os fatos não estão claros e nem as informações são dadas. A construção da realidade está comprometida e compartimentada, e essas partes não se ligam, pois faltam essas peças fundamentais que dariam consistência a essa realidade.

Também não estou dizendo que não há materialidade no que estamos vivendo, a situação é real, as manifestações não são virtuais mas os seus motivos são. Não sabemos mesmo se estamos defendendo o que é certo ou o que é errado. Nem um lado e nem o outro. Todos os motivos são construídos a partir desse jogo midiático, político e judicial. O que estou tentando dizer é que não há como montar esse quebra-cabeças, pois as peças estão faltando, ou não são as peças desse mesmo quebra-cabeças. Não é uma questão ideológica é uma questão puramente intelectual. Não temos dados suficientes para que possamos elaborar essa trama.  Todas as conclusões são inverossímeis, do ponto de vista da lógica. Das premissas dadas, o termo médio sempre aparece na conclusão, seja de um lado, seja do outro.

Já nos apontavam os gregos antigos que a dialética é um movimento natural nas relações humanas, ela só se complica quando perdem-se as conexões, quando os discursos não encontram conectivos capazes de promover o entendimento e superar o conflito. Não há diálogo, porque não existem palavras de ligação, os conectivos foram subtraídos. O discurso hoje no nosso país está polarizado, a tese se choca com a antítese e não pode alcançar a síntese.

Portanto, chego a única conclusão que me satisfaz no momento:  a posição de avestruz já não nos é mais possível, a não ser que nos declaremos hipócritas. Não dá mais para ser utilitarista. Quero a verdade dos fatos, custe o que custar!

Manoel N. Silva.