segunda-feira, 27 de abril de 2020

Pró-Brasil, um plano econômico ou uma viagem a recessão?





Qual é o objetivo dos partidos que apoiam Paulo Guedes e a sua política econômica?
Qualquer estudante de economia, ainda nos primeiros semestres, compreende que essa política de desmonte do Estado e precarização dos direitos trabalhistas, vão nos levar ao colapso do sistema produtivo. Nós temos um parque industrial totalmente dependente de subsídios e apoio estatal.  As indústrias brasileiras, como já expus em outros textos, não tem autonomia econômica e não sobreviverá a esse massacre neoliberal.

O comércio internacional está cheio de produtos e mercadorias de custo baixo e qualidade melhor que os nossos. Querem um exemplo? Eu dou dois: as máscaras e os respiradores que tanto precisamos, não são fabricados no Brasil, sabem por que? Porque a China os produz e vende por um custo e preço menor do que as empresas brasileiras podem fazer e oferecer ao comércio brasileiro. Nenhum país desenvolvido e liberal, começou a diminuir o estado  antes de fortalecer a indústria e comércio interno. Sem fazer reforma agrária e incentivar o pequeno e médio produtor rural. Sem investir em Educação e pesquisa. Só o Chile fez isso, vejam no que está dando...

Nesse momento de pandemia, no mundo todo, os governos estão investindo e financiando o trabalhador e as empresas, no Brasil a única preocupação é o mercado financeiro. A bolsa de valores, o preço do dólar e os investimentos estrangeiros.

Todos sabem que o mundo projeta uma queda de até 7% no crescimento econômico global. Sabe o que isso significa? Zero investimentos em produção. Todo o capital que circular e entrar nos países será especulativo. Nenhum industrial ou comerciante se atreverá a expandir seus negócios. Nenhum investidor, por mais empreendedor que seja, vai se arriscar a investir em países em desenvolvimento. Quem deve receber esses investimentos serão países asiáticos, a Europa  e os EUA, que certamente oferecerão garantias de estabilidade aos investidores. Rússia e China, não são tão vulneráveis as intempéries econômicas, devido a natureza de seus regimes e governos.

Mas, o Brasil não. O Brasil está solitário na América Latina, sua política de alinhamento aos EUA, o afastaram do BRICS e do Mercosul. Argentina,  Chile, Venezuela e Bolívia, estão mal das pernas, os outros países latinos também não possuem estruturas e parques industriais modernos, enfim, dificilmente o Brasil atrairá investimentos do setor privado ou investimento externo. Quem sustentará  a economia brasileira será o mercado interno e o investimento público, que é exatamente o que não haverá com essa política adotada por Guedes...
Então pergunto, esse plano Pró-Brasil, que se sustenta em investimento privado e estrangeiro, com conceções e vendas de ativos, será alavancado por quem? Marcianos?

MNS.

domingo, 26 de abril de 2020

Capitalismo


Sei que o Capitalismo é cruel e oprime a grande maioria dos homens. Mas, também sei que, dadas as circunstâncias e o momento histórico, os avanços nas comunicações e, principalmente a Internet, que, no meu entendimento, tornou real a expressão "aldeia global", é impossível uma revolução nos moldes sugeridos pelos marxistas. E também sei que sem essa ruptura violenta jamais poderia ser implantado o sistema proposto por Marx e Engels, em suas filosofias.

Portanto,  diante deste impasse, temos que buscar uma outra alternativa, reformular o que aí está, tornar esse sistema cruel e injusto em um sistema mais justo e menos desigual.

Proponho começar educando nossos filhos para serem seres humanos e não peças de uma engrenagem politico-econômica. Deixar de estimular a competição e ensinar a cooperação. Usarmos esta avançada tecnologia de comunicação para fazer as pessoas entenderem que não existem lugares no topo para todos e que competir com quem está do seu lado é, no mínimo, burrice!!!.

E se você acha que os EUA são uma história de sucesso em matéria de igualdade, dignidade e convivência pacífica e harmônica entre seres humanos... Bem,  eu discordo e vejo o seguinte quadro nos EUA:

As pessoas  são hipócritas, conservadoras, preconceituosas e individualistas ao extremo. A pobreza e a miséria estão represadas em guetos, o racismo é  flagrante e a cultura de competição gera o maior percentual de psicopatas e "serial killers", por metro quadrado do mundo.

Já no que tange a comunidade mundial, os EUA são imperialistas, mantém a sua ideia de hegemonia pela força e  imposição. Ou seja, o que não é do jeito deles é errado e deve ser combatido, destruído, dizimado. Invadem nações em nome dessa hegemonia e suposta paz mundial, enquanto, no fundo agem egoisticamente, zelando unicamente por seus interesses econômicos e políticos.



MNS

sexta-feira, 24 de abril de 2020

O marreco chuta o pau do galinheiro, cisca no terreiro e canta de galo!



O ex-ministro Sérgio Mouro, finalmente engrossa a voz e dá seu grito de independência. Sua fala em rede nacional, coloca em cheque, não só o presidente da República, mas todo o governo Bolsonaro.

Moro enfatiza a autonomia que a PF e a Lava-Jato, sempre tiveram nos governos do PT e acusa Bolsonaro de querer interferir politicamente, inclusive pedindo informacões privilegiadas de investigacões em andamento, além  de querer fazer outras substituições na PF.

Supõe-se, por estas afirmações, que o presidente quer uma PF  servil e trabalhando, não para fazer justiça e  apurar os fatos,  mas sim, para atuar como aparelho do governo.
Sérgio Moro, desmancha o governo e vai obrigar os militares a mostrarem a que vieram.
Antes, no dia anterior, os militares atuaram como brigada de incêndios e tentaram apagar as chamas desse incêndio que hoje se deflagrou.

Bolsonaro não tem lealdade com seus aliados, ele não mantém compromissos e sua palavra empenhada não tem valor. Ele segue a risca os ensinamentos de Maquiavel, no "O Príncipe", não porque deles tenha conhecimentos, mas, porque coloca o poder como único fim do seu governo.

Esperemos agora as justificativas e a defesa do Bolsonaro, assim como as atitudes dos militares dentro do governo. Como diria Sartre, os dados estão lançados!!

MNS

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Teatro de bonecos



Hoje parei para pensar nas atitudes do nosso governante maior e procurei entender qual a linha de atuação e o que poderia ser o objetivo maior de suas tão absurdas atitudes. Ele age como uma pessoa com bipolaridade, seus discursos são contraditórios e sem nexo aparente. Ataca o congresso e o STF, flerta com um publico ultra direitista e que pede intervenção militar e AI-5. Por outro lado, clama por patriotismo e democracia, critica presidentes como Maduro e Kim Jong Un, que diz ele, serem ditadores e ao mesmo tempo idolatra ditadores sanguinários como Pinochet e chama de herói o torturador Ulstra.

Aliado a esses comportamentos incongruentes, está rodeado de figuras exóticas e paradoxais, seus filhos trocam os pés pelas mãos, ofendem aliados e disparam fake news. Disparam bobagens contra embaixadores e criam crises sem motivos. O ministro da Educação parece adolescente nas redes sociais, tem comportamentos infantis e tiradas dignas de crianças de oito anos de idade. Publica em suas redes, insinuações ao povo chinês enquanto brinca de ministro, enfim, nem vou me alongar para descrever as loucuras e micos que os membros do alto escalão desse governo protagonizam diariamente, tornando-se a maior fonte de inspiração para humoristas e comediantes.

Vendo e revendo vídeos, atuais e antigos do nosso presidente, suas falas e seus gestos, sua performance, percebi que ele parece um personagem, uma figura montada, produzida e não uma pessoa real. Ele parece atuar e dar vida a esse personagem polêmico e vazio, que joga palavras e frases de efeito, mas sem nenhum compromisso real com essas posturas. Ele não assume a homofobia, embora a todo instante deixe ransparecer com palavras e ações. Não assume a misoginia, no entanto já foi condenado por ofender uma deputada e podemos encontrar diversos videos dele com insinuações e ofensas as mulheres. Disse que não é racista, mas zombou de quilombolas e indígenas...

Bem, como podemos perceber, são comportamentos sem sentido e suas afirmações soam falsas e aleatórias, sem profundidade, tanto que a grande maioria dos seus apoiadores não acredita que ele seja realmente assim, o que reforça a percepção de que ele é um personagem e que foi esse personagem polêmico e tresloucado que, tal qual Tiririca e outros personagens, se manteve na política, eleito como deboche ou brincadeira.

Fato que, para o eleito, é ótimo, pois não acarreta compromisso e assim ele se mantém na política sem cobranças ou pressões. Até aí tudo bem, o problema é que por uma conjuntura e uma série de fatores alheios à isso, o personagem foi eleito presidente e aí sim, a meu entender, começou o desastre, sem projetos e sem noção real de política, visto que não a fazia, não atuava e não tinha expressão no cenário político, acostumado a firulas e discursos vazios, de repente se viu debaixo dos holofotes, presidente do maior país da América Latina, uma nação gigante e de grande relevância no cenário global, não soube o que fazer, não tinha visão política, não sabia ser estadista e não o era.

Diante disso, fez a única coisa que sabia fazer, continuou atuando, sendo um personagem e se cercou de figuras com as mesmas características, meros personagens, pessoas que vivem fora da realidade. Arranjou um ministro da economia alinhado com a maioria do Congresso e alçou Moro, uma celebridade judicial, ao cargo de ministro da justiça, tentando criar uma proteção para a sua incapacidade administrativa e política. Sustentou seu primeiro ano as custas desses dois super ministros e uma reforma da previdência.

Mas, infelizmente, 2020 chega e logo nos primeiros meses, o mundo se vê sacudido por uma pandemia de proporções épicas, e completamente imprevisível, a Covid-19, provocada pelo novo corona vírus, que começou na China e se espalhou por todo o planeta. Nosso ator canastrão, na pele de seu personagem, meteu os pés pelas mãos e hoje, parece tentar uma ultima cartada, na esperança de sair ileso desse furacão. Ou seja, prega o caos político, acusa sem provas, joga insinuações, na esperança que os militares assumam o poder e salvem seu personagem de um fim triste e melancólico!

MNS

domingo, 19 de abril de 2020

Domingo cinza escuro

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Acordo e me deparo com notícias de carreatas a favor do fim do isolamento social...Pessoas que saem em seus carros, vociferando ameaças e brandindo suas mãos em gestos obscenos contra os poderes instituídos e governantes. Pessoas normais, pais, mães, avós, avôs, tios, tias, filhos e irmãos! Pessoas religiosas e tementes a Deus, que oram, rezam e se consideram bons, cumpridores de suas obrigações! Pessoas honestas, trabalhadoras,  caridosas...

Que coisa estranha! Que dia triste! Que poder maligno transforma essas pessoas em gente insana e cruel, incapaz de pensar, raciocinar coerentemente? Que loucura é essa que assoma essas pessoas pacatas e as torna ferozes, raivosas e doentias?
Que força perversa é essa que transforma velhinhos gentis em loucos vociferantes, que atacam policiais e vomitam ameaças veladas?
De onde veio esse terror que leva às ruas desse país senhoras de boa índole, mães amorosas e avós dedicadas, transformadas em paladinas da morte, defensoras de vírus e amantes de ditaduras?
De onde surgiu essa legião sombria e tenebrosa que acompanha esse sujeito inútil e sem visão, medíocre e simplório?

Como 57 milhões de pessoas ignoraram as falas, os atos, as ideias nefastas e violentas desse homem e o elegeram presidente do Brasil? Que cegueira foi essa?
Que loucura tomou conta do meu país e tornou escuro esse céu tão límpido? De onde veio esse véu negro que cobriu o riso radiante desse povo e tornou pedra o nosso tão grande coração? Que desesperança tão profunda cala os filhos da alegria e da liberdade? Onde estão aqueles que "sonham acordados um jeito de serem felizes" que não arrancam de vez essa erva daninha que cresce nas ruas desse país?

Onde estão as vozes revoltadas que não se fazem gritos e gestos, espadas vocais contra a ignorância e o medo? Onde estão todos, porque se calam  e baixam seus olhos envergonhados?

MNS.