domingo, 22 de março de 2020

O HOMEM É UM ANIMAL SOCIAL

 Aristóteles é o mais sistemático dos filósofos, ele não mistura as coisas. Todo o seu esforço filosófico é buscar sistemas claros, específicos. Ele, diferentemente de Sócrates e Platão, busca discriminar minuciosamente cada parte dos objetos de estudo na sua época, tentando compreender, sem desvirtuar ou intervir, senão com a análise e a lógica racional, a condição humana e seus diversos constructos sociais, políticos, éticos, físicos e biológicos.

Se, "Toda a filosofia ocidental nada mais é que notas de rodapé à obra de Platão" , eu concordo plenamente com quem disse que a maioria dessas notas são de Aristóteles.

Diante disso, tentarei explicar e fundamentar a afirmativa que dá título a esse post, de que o homem é um animal social, baseado na conclusão aristotélica de que o homem é , por natureza, um "zoon politikon".

Para começar, não esqueçamos que na época de Aristóteles não existia a especificidade do termo "sociologia" ou "social" e "política" era relativo a convivência na pólis. Portanto, relativo à sociedade. Também é bom lembrarmos que a pior punição para o cidadão ateniense, era exatamente o desterro e ostracismo, que fez Sócrates preferir a cicuta. O que demonstra o quão importante era pertencer à cidade, a pólis.

Eu, academicamente assumiria a afirmativa aristotélica de que o homem é um ser social, fundamentado em toda a obra filosófica do período socrático (que me abstenho de citar, tanto pela quantidade, quanto pelo conhecimento da grande maioria que vier a ler estes escritos). É uma conclusão lógica e, ariscaria eu, a única capaz de reproduzir o que Aristóteles quis dizer com a expressão "zoon politikon".

Muitos poderiam contestar dizendo que político não é sinônimo de social. Sim, absolutamente não é! Mas, não foi a concepção do termo "social", que mudou ao longo do tempo e se distanciou da concepção do termo "política", ao contrário, foi a concepção de política, na era moderna, que se afastou daquela concepção clássica grega, muito mais próxima do termo moderno para sociabilidade.

O termo sociabilidade é moderno. Veio com a necessidade de substituir aquele antigo termo grego "politikon", que queria dizer relativo a cidade, a "pólis". Que não siginificava, de modo algum, o termo moderno, comumente traduzido, "cidade-estado", era muito mais próximo dos termos modernos de "Nação" ou "sociedade". Eu prefiro sociedade, pela complexidade que envolve esse termo, tanto quanto o termo grego, e que deriva do termo latim "sociatas " que é pós grego antigo e clássico, e começa a ser usado por volta do séc XIII, como equivalente a "comunidade de indivíduos". Por estas e outras muitas justificativas, eu compreendo e aceito, dentro da visão aristotélica, de que o homem é um animal social. 


No entanto, discordo dessa natureza. Na minha visão o homem é compelido, obrigado a viver em sociedade, não porque seja de sua natureza, mas, por pura necessidade. E necessidade no contexto atual, onde estão envolvidos todos os conceitos de escolha, liberdade, sociedade, globalização, privacidade, informação, egoísmo, utilidade, condição humana, enfim, essa concepção contemporânea de "ser humano".

A minha visão sobre a natureza humana é social e sob as lentes sartrianas e existencialistas, ou seja, não vejo a possibilidade de uma natureza humana e sim a construção de uma natureza pessoal, fundada na percepção e compreensão do mundo e das pessoas ao seu redor. Somos constructos sociais com bases no desejo e na necessidade de existir, enquanto ser que se encontra no mundo e precisa sobreviver.

MNS

sábado, 21 de março de 2020

Brasil, um navio sem timoneiro.


Uma nação gigante, cheia de riquezas e com um enorme potencial de crescimento. Um país com uma enorme área propícia a agricultura, pecuária e extrativismo. Rica em minérios e de uma beleza litorânea de dar inveja a gregos e mexicanos. Uma região  amazônica com a maior biodiversidade do mundo! Talvez uma das únicas nações com a possibilidade de conviver harmonicamente com o meio ambiente e ainda ser capaz de se industrializar sem ferí-lo ou destruí-lo.

Uma nação relativamente nova, se compararmos com o velho continente e suas civilizações milenares, com suas populações maduras e já se curvando para a velhice. Enfim, um país jovem, com uma população jovem, pronta para crescer e fazer desse país uma potência econômica e líder da América Latina!

Mas, infelizmente não saímos da promessa, não damos os passos iniciais para a realização do nosso potencial e sequer estamos estacionados! Não caminhamos para o horizonte, estamos com os olhos e os pés  voltados para trás! Batemos cabeça entre o desejo de ser grande e o medo da mudança real.

Os empresários querem crescer sem custo, sem investimentos pessoais, sempre sob as benesses  do estado( que dizem querer "mínimo")os agropecuaristas, preferem os grandes latifúndios e monoculturas, dão  prioridade a exportação "in natura" e inviabilizam a agroindústria nacional. Preferem ser os maiores produtores e exportadores de grãos, de laranja, etc, do que fomentar a manufatura e industrialização interna.
Reclamam dos subsídios das outras nações, mas não buscam agregar valores aos seus produtos. Clamam por um câmbio desvalorizado, mas não  diversificam seus produtos!

Já  o comércio lojista prefere (e com razão) a importação de produtos industrializados, visto que a indústria nacional não se moderniza, não  investe em tecnologia e nem valoriza seus quadros funcionais, promovendo a formação técnica e tecnológica deles. Anseia por tecnologia e mão-de-obra qualificada, mas, espera o "Estado Mínimo", fazer isso para ele. Sonega, sonega e reclama dos direitos sociais, tampouco investe em creches, moradia e educação para seus funcionários e seus familiares.

O setor de serviços flutua nesse meio entre indústria e comércio, a mercê dos ventos e dos investimentos internacionais, que são sempre incertos e voláteis, fogem ao menor desequilíbrio econômico ou crise interna ou externa.

O mercado financeiro é dominado por uma meia dúzia de grandes bancos e os investidores são, na sua maioria, especuladores financeiros e rentistas. Afinal, não  é a toa que muitos economistas e políticos, alcunham o Brasil de "paraíso do rentismo"!

E assim,trancos e barrancos, entre pilantras e idealistas, picaretas e incompetentes, corporativistas e lobistas gananciosos, interesses particulares, personalismos e populismo barato, entreguismos e ideológicos de boteco, preconceitos e ignorância, ora governados pelos ladrões, ora pelos idiotas, essa nação é  um barco a deriva, tendo como timoneiro um tolo cercado de loucos, fanáticos e bobos da corte, incapazes de saber sequer o que seria um timão, imagine navegar nessa tempestade chamada Covid-19.

MNS

Covid-19 e o Mito dos idiotas.



Muito já foi dito e desdito da pandemia que assola o mundo em plena era da comunicação. Um mundo maravilhoso onde não há mais pessoas isoladas, onde a informação é imediata e chega em qualquer recanto do planeta.

Não vou perder-me em redundâncias e aqui repetir os perigos e as catastróficas consequências que nos trouxe, traz e trará, esse minúsculo indivíduo, fruto de mutações e adaptações, na sua desesperada luta pela sobrevivência.

Um ser sem maldade, sem segundas intenções e que só age em função da sua sobrevivência, do seu procriar e da continuidade da sua espécie. Não se dá conta do rastro de morte e destruição que deixa pelo caminho. Apenas segue, driblando os fármacos e anticorpos, numa corrida sem outro fim ou projeto, senão sobreviver!

Ele se transformou na China e se espalhou pelo mundo, da Ásia a Europa, dos confins da África as selvas tropicais da América do Sul.

O tempo é curto para ele, por isso aprendeu a se multiplicar rapidamente e ficou mais resistente, imune aos medicamentos, menos letal, é verdade, no entanto, bem mais dinâmico na transmissibilidade atingindo assim um número bem maior de indivíduos em curto espaço de tempo! Tal habilidade o torna mais eficiente e capaz de matar quantitativamente muito mais indivíduos.

Mas esse ser, apesar de toda letalidade e terror que nos causa, não tem intencionalidade e nem consciência de seus atos. Mata, mas não porque deseja matar ou porque satisfaça um prazer pessoal. Mata porque precisa sobreviver!
Autoridades de todo o mundo compreendem essa condição e respeitam a natureza desse ser. Sabem que precisam combatê-lo e exterminá-lo o mais rápido e eficientemente. Não o subestimam, compreendem que o apelo natural que nos move, também a ele move, a sobrevivência de um é a morte do outro. Não é um mal programado, é uma luta pela sobrevivência. Essas autoridades, líderes de suas Nações, se colocam firmemente em suas ações e discursos, em prol do combate a esse ser. Cada um dos líderes desses países teve a serenidade de se colocar na defensiva, cientes do perigo que enfrentamos, sem substimá-lo. Sem rompantes e sem quixotismos. E a humanidade agradece a esses líderes e neles confia para fazerem o possível e o impossível para vencerem a luta contra o Covid-19...

Entretanto, em uma republiqueta de bananas, ao sul do Equador, onde um bando de idiotas liderados por um mito de barro, coberto de arrogância e mediocridade, preconceitos e ignorância, vai na contramão do resto do mundo. Neste país, seu líder não compreendeu a gravidade da situação e brinca de governar, dando bananas para o Covid-19. Não respeita os protocolos que as organizações mundiais de saúde, e sua própria equipe, definiram para conter a disseminação do vírus, sai às ruas e estimula acúmulo de pessoas em protestos contra as instituições e os poderes constituídos, em clara afronta aos preceitos constitucionais, a justiça e ao legislativo. Age como uma criança, fala como um demente e governa como um bodegueiro de esquina!

O Covid-19, pelo menos, tem a seu favor, ser um animal sem racionalidade, um indivíduo isento de qualquer intenção ou maldade, já o Mito dos Idiotas...

MNS

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

SER



Há pouco mais de duas semanas completei 59 anos de existência. Nada fundamental ou marcante na minha história,   ou na história de qualquer outra pessoa que orbita minha existência. Apenas me vi no mundo e no meio onde vivo, e compreendi, sem nenhuma outra qualquer catástrofe ou acidente, senão o meu completo discernimento da inutilidade da minha vida, que nada do que fiz ou sou, nem por mera coincidência ou afinidade casual, fez ou fará   qualquer diferença na vida de qualquer ser no mundo. Não sou e nem serei importante e nem terei qualquer relevância,  visto que, o que há não é  uma verdade pétrea, consagrada e definida em qualquer livro consagrado ou em qualquer  teoria cientificamente provada. Percebi, no auge da maturidade e olhando para  a descida ingrime e rápida do meu ocaso existencial, que o que move o mundo e define quaisquer atitudes  e ações humanas, não reside no pensar ou no saber. Cada homem ou mulher, ou mesmo qualquer animal, só  se move em direção  a si mesmo e ao seu prazer! Não  existe bondade, amizade, amor, desejo ou ódio, se não te direciona ao mais íntimo e escondido prazer. Não  há nada além de "eu". Todas as tentativas de coletivizar a vida é inútil. Somos adversários natos. Toda a nossa existência é disputa e desafio. Qualquer ser vivo, racional ou irracional, auto movente ou não, vive um eterno combate, uma sem fim luta pela sobrevivência e até mesmo pela mínima condição de ser, no que diz respeito a existir. Nada é definido ou dado, qualquer existir é individual, qualquer ser, é  mero existir, não vai além do simples sobreviver!
Não nos enganemos e nem nos superestimemos, ser humano, racional, consciente, só  nos leva a uma única conclusão:
Somos nada. Indiferença! É tudo que nós somos, não  passamos de ilusão.  Tudo que nos espera é a escuridão, o nada, a incompreensão!

Manoel N Silva.

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

CARTA ABERTA AO VENTO E AO SOL!


Caros jornalistas, vocês que compõem essa privilegiada classe, capaz de levar a sociedade os fatos como realmente eles acontecem, ou pelo menos, buscar a visão mais próxima, a versão mais honesta, independente de vossas crenças  e ideologias, atentem ao que hoje acontece no mundo e ao seu redor. Aqui, no ambiente doméstico, nas soleiras de nossas portas, na distante Europa, nas longínquas terras onde nasceu a civilização, nos nossos vizinhos latino-americanos, na Ásia e Oceania...  Peço-vos encarecidamente, sejam interpretes imparciais do movimento do mundo, busquem todas as visões, explorem todos os ângulos e nos forneçam, por favor, as informações necessárias a um juízo crítico, consciente e sem absurdos e pseudoverdades! Não colaborem com a desinformação e o ideologismo, puro e simples. Não deixem que crenças e desejos sobreponham-se as ciências e ao conhecimento racional. Não deixem se alastrar o pior mal que a humanidade pode vir a padecer, a pior das pestes já enfrentadas pelo homem, o mais letal desastre jamais vencido e superado: a ignorância!
Essa que mata a criança inocente, por não lhe ser  permitida a prevenção eficaz  pelas vacinas, essa que ressuscita doenças há muito mortas e enterradas, essa que permite todas as pestes e que relega o homem a sua mais primitiva condição! Essa que devasta as florestas e seca as fontes e rios, que nega a ciência em nome do medo e da desesperança, que afoga em gases o planeta e sufoca seus mares com o plástico e o óleo. Esse mesmo óleo que a natureza nos forneceu com sabedoria como o combustível do nosso progresso, mas ela, aliada a outro pesadelo humano, a ganancia, acaba por destruir nações, espalhar a fome e a guerra, separando famílias, produzindo êxodos e diásporas pelo mundo todo.
Por isso senhores jornalistas, não falseiem a realidade, não deturpem os fatos, não conduzam ao erro o seu leitor, o seu ouvinte, o seu telespectador, o seu internauta e seguidor, aquele que deposita sua confiança cega, na certeza de que você o esclarece, que você é imparcial e que traz a noticia certa, correta como você a viu acontecer, sem maquiagem e sem máscaras, sem roupagens adicionais e sem intencionalidades de segundas monta!
Rogo também aos lideres religiosos, aos padres, aos sacerdotes, aos pastores e a todos que representam e falam por suas crenças, enfim, a todas as autoridades religiosas que olhem de frente seus fiéis, que não baixem seus olhos e lhes forneça o bálsamo maldito da ignorância, a muleta covarde da mentira e do medo sem razão! Sejam honestos para com seus deuses e suas ovelhas, mostrem ao rebanho que os segue, o alimento da ciência e da verdade, não lhes venda ídolos de barro, mesmo revestidos de ouro, mostre-lhes a real face do mal, que é a ignorância, a mentira, a ganância dos homens, seus desejos de poder e dominação, seus desjos desenfreados de riqueza, mesmo à custa da vida e da pobreza de muitos!
Imploro-vos, oh! senhores divinais, que aplaquem a sua gana por almas e valorizem a vida e o tempo humano! Não naturalizem o sofrimento vão e inútil, a fome, a doença, a guerra, a fuga, a violência e a morte. Não digam que essas coisas são a vontade de deuses, isso não poderia ser obra de deuses sãos, deuses felizes, deuses que amam e se alegram com a felicidade do povo. Não, deuses bons e sadios jamais iriam querer o sangue de inocentes derramados como sacrifício ao seu louvor! Retornem as suas matrizes e espalhem o amor que todo deus que eu já ouvi falar, cobra! Amem e amem-se mais do que a vã agonia da riqueza e da beleza, amem o próximo, mesmo que o próximo tenha vindo de bem distante, empurrado pelos deuses do medo e do pavor, acolham a verdade como principio e o respeito  como sentença.
A vossas excelências, meritíssimas e doutores, senhores das nossas vidas, que decidem nossos destinos, peço-lhes que não nos olhem de cima, que não nos julguem do alto de suas cadeiras douradas, com seus mantos negros e seus sorrisos gelados. Que não distribuam o pão que nos é devido, em partes tão desiguais. Por favor,  senhor prefeito, governador ou presidente, não pense que uma nação se faz sem gente e que aquela estrada reluzente, aquele estádio moderno se faz mais necessário que a pílula, a vacina, o prato diário de arroz e feijão. Senadores, deputados e vereadores, não cedam a pressão do dinheiro, não joguem o aposentado, o trabalhador, a mulher e o deficiente no lixo dos bancos, não os obrigue a mendicância, a morte lenta e a vida sem riso, sem casa e sem dinheiro, sem remédio e remendo!
A todos os outros, que de uma forma ou de outra, por medo ou por crença, por desgosto ou por gosto mesmo, que podem e não fazem nada, ou mesmo que nada possam fazer, peço-lhes que pelo menos, façam um esforço para gritar! Que pensem, que se sentem diante de si mesmos, nem precisa ser na frente do espelho, olhem ao redor e fechem os olhos e reflitam, perguntem, indaguem, nem que seja  ao vento ou ao sol, o porque de tudo que vocês não sabem explicar!

MNS